O Infarmed emitiu um parecer desfavorável à comparticipação de dois dos mais recentes medicamentos para a doença de Alzheimer aprovados na Europa, por considerar que, com a evidência científica atualmente disponível, não demonstram um benefício terapêutico adicional. A informação foi avançada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, de 60 anos.

A governante explicou que a decisão impede, para já, o início de qualquer processo de negociação para que estes tratamentos venham a ser financiados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

À margem da conferência ‘Doença de Alzheimer: Momento de Agir’, realizada na Assembleia da República (AR), Ana Paula Martins esclareceu que a avaliação do Infarmed assenta exclusivamente em critérios científicos.

"Não apresentam valor terapêutico acrescentado", afirmou, frisando que se trata de "uma matéria técnica, e não política".

A ministra acrescentou ainda que Portugal não é caso único e que vários países europeus chegaram à mesma conclusão relativamente a estes medicamentos.

"Nestes dois medicamentos, vários países da União Europeia (UE) já emitiram pareceres que não são positivos, são desfavoráveis, com os dados que temos hoje. Portugal não é uma exceção", referiu, sublinhando, contudo, que "a ciência avança todos os dias e amanhã podemos ter dados diferentes".

As declarações surgem depois de a associação Alzheimer Portugal ter apelado ao Governo para que os novos tratamentos fossem comparticipados, defendendo que os medicamentos conseguem atrasar a progressão da doença e preservar durante mais tempo a capacidade cognitiva, a autonomia e a qualidade de vida dos doentes.

Embora os fármacos já possam ser adquiridos, Ana Paula Martins lembrou que o seu elevado custo limita o acesso por parte da maioria dos doentes.

"É verdade que está disponível, é verdade que pode ser adquirido se as pessoas quiserem, é verdade que é muito caro (...), mas nós temos de ter a garantia daquilo que estamos a financiar e (...) ter evidência de que, de facto, algo vai mudar", afirmou.

Durante a intervenção, a ministra destacou também a importância da inovação terapêutica, revelando que, desde 2024, já foram aprovados cerca de uma centena de novos medicamentos, alguns dos quais classificou como "absolutamente disruptivos".

Por outro lado, reforçou a necessidade de apostar no diagnóstico precoce da doença, defendendo que uma deteção mais rápida permite iniciar os tratamentos mais cedo.

"Se eu detetar mais cedo, começo a tratar mais cedo", concluiu.