Esta quarta-feira, dia 15, Argentina e Inglaterra voltam a encontrar-se num Campeonato do Mundo. 40 anos depois de um dos jogos mais marcantes da história do futebol, as duas seleções vão disputar um lugar na final do Mundial.
Mas, para compreender o peso deste reencontro, é preciso regressar a 1986.
Quatro anos antes, a Guerra das Malvinas tinha deixado uma ferida profunda na Argentina. Perderam-se centenas de vidas no conflito. Milhares de famílias ficaram para sempre marcadas pela ausência de quem nunca voltou a casa.
Por isso, quando as seleções entraram em campo no Estádio Azteca, o ambiente era de enorme tensão. Para muitos argentinos, aquele era o primeiro frente a frente com os ingleses desde a guerra. Não valia território, mas valia orgulho.
José Luis Brown, defesa argentino recordou o momento em que Maradona, logo após os hinos nacionais, rompeu o silêncio e transformou toda a revolta acumulada numa última mensagem para os companheiros.
E então começou o espetáculo.
Aos 51 minutos, Maradona marcou um dos golos mais polémicos da história. Saltou com o guarda-redes Peter Shilton e desviou a bola com a mão para dentro da baliza. O árbitro não viu e o golo contou. Mais tarde, Maradona disse que tinha sido marcado "um pouco com a cabeça de Maradona e um pouco com a mão de Deus".
Apenas quatro minutos depois, Maradona voltou a chocar o mundo. Recebeu a bola ainda no seu meio-campo, deixou cinco ingleses para trás, fintou o guarda-redes e fez o 2-0, levando toda uma nação às lágrimas.
Em menos de cinco minutos, Maradona tornou-se no protagonista de dois dos momentos mais icónicos da história do futebol: a "Mão de Deus" e o "Golo do Século".
A Argentina venceu por 2-1, seguiu em frente e, dias depois, vencia o Mundial. Mas, nesse dia, Diego Armando Maradona deixou de ser apenas um génio. Tornou-se no símbolo de um país que, durante 90 minutos, encontrou no futebol uma forma de aliviar as cicatrizes da guerra.

















