Numa última tentativa diplomática para travar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva propôs aos Estados Unidos um "mapa do caminho". O plano detalha estratégias e ações técnicas para assegurar que as práticas comerciais do país não penalizam nem restringem o comércio norte-americano.
A proposta foi apresentada esta quinta-feira (2) durante uma reunião virtual entre o ministro do Desenvolvimento do Brasil, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. Embora o governo brasileiro tenha demonstrado abertura para alargar medidas e negociar em várias frentes críticas, manteve-se totalmente irredutível e não aceitou ceder a qualquer alteração na estrutura do PIX.
Os norte-americanos acusam o Banco Central do Brasil de favorecer o sistema de pagamentos instantâneos nacional em detrimento de provedores dos EUA. Numa resposta formal de 29 páginas assinada pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil rebateu as acusações, argumentando que o PIX é uma infraestrutura pública neutra e aberta à concorrência, comparável ao sistema FedNow utilizado pelo próprio Federal Reserve nos Estados Unidos.
A diplomacia brasileira sustentou também que as queixas de Washington relativas ao PIX e às decisões de bloqueio de redes sociais emitidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – como o caso da plataforma Rumble – constituem divergências políticas internas e não têm relação com o comércio bilateral legítimo.
Como sinal de boa-fé para conter a ofensiva tarifária da administração de Donald Trump, a equipa económica brasileira propôs uma redução ampla das tarifas de importação em cerca de 300 produtos divididos por três eixos essenciais: maquinaria agrícola, equipamentos hospitalares e tecnologia da informação. Apesar de o corte tarifário ser geral, a área técnica do governo brasileiro destacou que os exportadores norte-americanos serão os principais beneficiados, uma vez que dominam o fornecimento global destes itens.
Para além do comércio digital, as negociações bilaterais abrangem outras cinco áreas sensíveis apontadas pela investigação norte-americana sob a chamada Seção 301: tarifas preferenciais com países terceiros (como os acordos do Brasil com o México e a Índia), o acesso ao mercado de etanol, a proteção da propriedade intelectual, o combate à corrupção e as ações contra o desmatamento ilegal.
O prazo final para a decisão e eventual aplicação das taxas alfandegárias por parte de Washington termina a 15 de julho. Até lá, as equipas técnicas de ambos os países deverão realizar um novo encontro de mediação para avaliar o avanço das propostas.

















