Do relvado do Estádio das Antas para o trabalho na reciclagem de metais, no Rio de Janeiro. A história de José Carlos, antigo defesa-central brasileiro do FC Porto, é surpreendente. Aos 61 anos, o homem que conquistou cinco campeonatos nacionais com a camisola azul e branca ganha atualmente a vida a cortar e vender ferro e aço, depois de ter deixado o futebol.

Numa entrevista ao jornal A BOLA, José Carlos revelou que abandonou a atividade ligada ao futebol há cerca de seis anos e encontrou uma ocupação completamente diferente.

"Neste momento, estou a falar consigo enquanto corto comboios velhos abandonados. Trabalho no corte e venda de aço e ferro. A vida segue…", revelou.

"Eu sou goiano, mas vivo no Rio de Janeiro desde que voltei de Portugal. Estou a trabalhar com reciclagem e sucata", contou o antigo futebolista, que, durante a conversa com o jornalista, estava precisamente a trabalhar no desmantelamento de antigas carruagens ferroviárias.

José Carlos chegou ao FC Porto em 1989, proveniente do Flamengo, e esteve ligado aos dragões durante sete anos, incluindo um empréstimo ao Gil Vicente. No currículo acumulou cinco campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal e três Supertaças.

Também deixou uma marca importante como defesa goleador nos azuis e brancos: apontou 25 golos em 101 encontros, tendo sido durante anos o defesa mais concretizador da história portista, antes de ser ultrapassado por Alex Telles e Iván Marcano.

O ex-jogador recordou também episódios inesquecíveis da passagem pelas Antas, incluindo um confronto com Romário, então jogador do PSV Eindhoven, que lhe pediu para não fazer entradas duras porque estava a negociar uma transferência para o Barcelona.

Apesar da distância e da mudança radical de profissão, mantém o FC Porto num lugar especial da memória. José Carlos considera que a experiência no clube foi uma aprendizagem para toda a vida e garante que nenhum outro emblema por onde passou se comparou aos dragões.