Espanha vai a votos mais cedo do que estava previsto. Pedro Sánchez anunciou esta segunda-feira, dia 5, a realização de eleições gerais antecipadas a 29 de novembro, colocando um ponto final numa legislatura que só deveria terminar em julho de 2027.

O chefe do governo espanhol decidiu avançar para a dissolução das Cortes depois de um fim de semana de consultas com membros do Governo, dirigentes do PSOE e parceiros parlamentares.

O momento decisivo aconteceu na sexta-feira, quando o Executivo sofreu uma pesada derrota no Congresso: dois decretos sobre habitação foram rejeitados, depois de Junts ter juntado os seus votos aos do PP e do Vox. O episódio confirmou a crescente dificuldade de Sánchez em encontrar uma maioria parlamentar capaz de sustentar a ação governativa.

Na declaração feita em La Moncloa, Sánchez reconheceu que o governo “cometeu erros” e justificou a decisão com a necessidade de “renovar e ampliar o apoio das pessoas”. O líder socialista defendeu ainda que Espanha precisa de uma maioria progressista mais ampla para prosseguir as políticas do Executivo.

A convocação terá agora de cumprir os procedimentos legais: após deliberação do Conselho de Ministros, a dissolução das Cortes é decretada pelo rei. O decreto deverá ser publicado no BOE esta terça-feira, 6. A campanha decorrerá entre 13 e 27 de novembro, seguindo-se o dia de reflexão e, a 29, a ida às urnas.

Sánchez joga, assim, o futuro político cerca de nove meses antes do fim previsto da legislatura, numa Espanha marcada pela crise da habitação, pelo desgaste parlamentar e por sondagens que têm colocado a direita em vantagem.