O ciclismo português está no centro de uma nova polémica depois das declarações de Keegan Swirbul, ciclista norte-americano de 31 anos que anunciou o fim da carreira profissional no final desta temporada. O corredor, que passou os últimos quatro anos ao serviço da EFAPEL, publicou um vídeo, de cerca de 24 minutos no YouTube, no qual fala abertamente sobre a sua experiência no pelotão e faz fortes acusações relacionadas com o recurso a substâncias dopantes em Portugal.

Segundo Keegan Swirbul, o doping continua a ser uma realidade no ciclismo nacional e terá sido algo com que se deparou durante os anos em que competiu no País. "Corro há quatro anos num lugar onde o doping é uma realidade, infelizmente, que é Portugal", afirmou o norte-americano, que considerou ainda que Portugal é “literalmente conhecida como o faroeste do doping no ciclismo”.

No testemunho, Swirbul afirma ter presenciado pessoalmente situações de doping durante provas e garante que o tema é frequentemente discutido entre ciclistas depois das competições. De acordo com o corredor, as suspeitas surgem sobretudo quando determinados atletas apresentam desempenhos muito acima do habitual, especialmente nas etapas de montanha.

Durante o vídeo, o norte-americano mencionou ainda alguns nomes do ciclismo português e apresentou alegações sobre António Carvalho, José Neves e Frederico Figueiredo. No caso de António Carvalho, Swirbul referiu uma alegada perda rápida de peso antes da Volta a Portugal e levantou suspeitas sobre a utilização de corticosteroides, admitindo a possibilidade de existir uma autorização de utilização terapêutica.

Em relação a José Neves, o ciclista recordou o caso do corredor que foi suspenso durante quatro anos por uma infração relacionada com EPO e transfusões sanguíneas e que posteriormente regressou à competição. Swirbul questionou ainda a decisão de uma equipa portuguesa de voltar a contratar o atleta.

Já sobre Frederico Figueiredo, o norte-americano destacou as capacidades do português enquanto trepador, mas levantou dúvidas relacionadas com o passaporte biológico e criticou a possibilidade de o corredor ter continuado a competir enquanto decorria uma investigação. As declarações envolveram também a equipa Sabgal/Anicolor.

Swirbul falou ainda sobre Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard, duas das maiores figuras do ciclismo mundial. O norte-americano afirmou não acreditar que Pogačar recorra ao doping da mesma forma que acontecia na era de Lance Armstrong, mas deixou em aberto a possibilidade de existirem atualmente métodos mais sofisticados e difíceis de detetar, chegando a mencionar a hipótese de formas de dopagem genética ou mitocondrial.