O Benfica apresentou à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) um documento que pretende servir de base a uma “reforma total e completa” da arbitragem portuguesa.

A proposta foi entregue numa reunião realizada a 11 de setembro, que foi tornada pública esta segunda-feira, dia 5, e assenta em quatro pilares considerados fundamentais pelos encarnados: independência, profissionalização, transparência e responsabilização.

Uma das mudanças mais profundas defendidas pelo clube da Luz, liderado por Rui Costa, passa pela criação de uma entidade autónoma para gerir a arbitragem, independente da FPF, da Liga Portugal e dos próprios clubes. A liderança dessa estrutura seria escolhida através de concurso internacional, teria mandatos fixos e desfasados dos ciclos eleitorais dos organismos do futebol, procurando assim reduzir eventuais interferências externas.

O Benfica propõe igualmente uma separação total entre quem nomeia os árbitros e quem avalia o respetivo desempenho. No plano tecnológico, as águias querem avançar com tecnologia de deteção do fora de jogo e defendem a profissionalização integral das equipas dedicadas ao videoárbitro (VAR).

A responsabilização é outro dos pontos fortes do documento. O clube pretende que o desempenho tenha consequências concretas: árbitros com classificações de mérito deverão beneficiar de progressões e compensações financeiras, enquanto avaliações insuficientes poderão originar penalizações e retrocessos na carreira.

A filosofia defendida pelo Benfica é clara: “a excelência tem de ser distinguida e premiada”. A proposta surge numa altura de forte discussão em torno do modelo e da credibilidade da arbitragem no futebol português.