A contagem decrescente para o centenário do nascimento de José Afonso já começou. A Associação José Afonso lançou uma comissão destinada a promover, até 2029, um vasto programa de iniciativas para celebrar a vida, a obra e o legado cívico de uma das figuras maiores da música e da cultura portuguesas. Zeca Afonso nasceu em Aveiro, a 2 de agosto de 1929, e morreu em Setúbal, em 1987.
O movimento nasce em torno do 'Manifesto pelo Centenário de José Afonso', aberto à participação de pessoas e instituições. A intenção é levar as comemorações às cidades, vilas e aldeias, dentro e fora de Portugal, envolvendo associações, artistas, investigadores e diferentes gerações de público. A comissão pretende incentivar iniciativas locais, nacionais e internacionais, cruzando música, artes, investigação e intervenção cívica.
“Celebramos a criatividade e o impacto duradouro da sua obra”, lê-se no manifesto, que destaca também a atualidade das canções de José Afonso num período marcado por conflitos, desigualdades e desafios à democracia. A organização sublinha ainda o exemplo cívico do músico e a defesa de uma sociedade “mais livre, mais justa e mais solidária”.
Concertos, exposições, tertúlias, projetos editoriais e ações de recolha e preservação de documentos e testemunhos estão entre as iniciativas previstas. A Associação José Afonso quer igualmente aproximar as novas gerações da obra de Zeca, incentivando a sua recriação por novos artistas.
Autor de 'Grândola, Vila Morena', uma das senhas da Revolução de 25 de Abril, José Afonso deixou uma obra que atravessou a ditadura e a democracia e que a comissão pretende manter viva até à celebração dos seus 100 anos, em 2029.

















