O Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, reabre esta sexta-feira, dia 18, depois de mais de dois anos encerrado para obras de requalificação. Para Pedro Penim, diretor artístico da instituição, trata-se de um momento “histórico” e de uma das maiores intervenções de que o edifício foi alvo.
“É absolutamente um momento marcante da história desta instituição. Não me parece que, nos próximos anos, arriscaria mesmo décadas, vá haver uma obra desta dimensão”, afirmou o responsável, de 51 anos, em entrevista à Lusa.
O teatro estava encerrado desde o início de 2023, no âmbito de uma intervenção financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A reabertura chegou a estar prevista para 2024, mas acabou sucessivamente adiada, primeiro para o início de 2025 e, posteriormente, até à atual data.
Durante o período de obras, o D. Maria II manteve a atividade fora do edifício, levando espetáculos e outras iniciativas a mais de 100 municípios. Agora, regressa ao Rossio com uma programação que, segundo Pedro Penim, também reflete a experiência vivida durante esse período.
Para assinalar a reabertura, o teatro preparou três dias de programação gratuita, entre sexta-feira, 18, e domingo, 20, com visitas ao edifício, apresentações e outras iniciativas. O principal momento será a estreia de ‘Macbeth’, de William Shakespeare, na renovada Sala Garrett.
A escolha da tragédia não foi casual. Pedro Penim revelou que há muito queria que a reabertura acontecesse com um clássico e acabou por optar precisamente pela peça que estava em cena na noite de 2 de dezembro de 1964, quando um incêndio destruiu grande parte do teatro: “Por um lado, pareceu-me provocatório; por outro, estabelece um diálogo com a própria história do edifício.”
A relação entre ‘Macbeth’ e o teatro ganha ainda um significado especial devido à tradição de associar a peça a superstições e acontecimentos negativos. O incêndio de 1964 acabou, segundo Penim, por acrescentar “uma camada ainda mais dramática” a essa história.
A produção marca assim também o regresso ao D. Maria II de uma obra que não voltava a ser apresentada naquele palco desde antes do incêndio.
Os três dias de celebração começam com a estreia de ‘Macbeth’, pelas 18:00 de sexta-feira. Mais tarde, às 21:30, o Rossio recebe um espetáculo de videomapping e atuações dos DJ Beatbombers, Marfox e Zengxrl, com programação até à 01:00.
No dia 19, estão previstas visitas ao teatro entre as 11:00 e as 15:30, seguindo-se, às 16:00, o lançamento do livro ‘Macbeth’. Às 18:00 haverá nova apresentação da peça.
As visitas repetem-se no dia 20, no mesmo horário. Às 16:00, o público poderá assistir ao espetáculo Coro do recomeço, apresentado em diferentes espaços do edifício, antes de uma nova récita de ‘Macbeth’, às 18:00. A peça ficará ainda em cena durante sete semanas, entre 18 de setembro e 31 de outubro
Com encenação e tradução de Pedro Penim, o elenco inclui Bárbara Branco, Hugo Van Der Ding, José Raposo, Ana Coimbra, Ana Tang, João Grosso, José Neves, June João, Sandro Feliciano, Stela, Vítor Silva Costa e outros atores.
A equipa artística conta ainda com cenografia de Joana Sousa, figurinos de BÉHEN, composição e desenho de som de Filipe Baptista e desenho de luz de Daniel Worm d’Assumpção.

















