Para Mischa Gurov ir trabalhar não significa enfrentar trânsito ou passar horas infernais à espera de transportes públicos. Desde 2019, o russo, de 45 anos, atravessa diariamente o Lago Zurique, na Suíça, a nado para chegar ao emprego.

O percurso varia entre os 800 metros e 1,5 quilómetros, dependendo do local onde entra e sai da água. A rotina mantém-se durante todo o ano, incluindo nos meses mais frios. Numa das primeiras tentativas, chegou a enfrentar água a apenas 13 graus e acabou a tremer durante cerca de meia hora.

Para tornar a travessia possível, Mischa deixa a roupa de trabalho num cacifo e transporta apenas o essencial numa boia impermeável: telemóvel, chaves, cartão bancário, óculos, touca e toalha. Normalmente entra na água entre as 7:00 e as 7:30, antes do início do movimento de barcos no lago.

A ideia surgiu depois de, em Londres, ter conhecido pessoas que atravessavam um rio a nado para chegar ao trabalho. Quando se mudou para Zurique, decidiu transformar essa inspiração numa rotina diária.

Apesar de os colegas brincarem e dizerem que é “louco”, Mischa garante que vê a experiência de outra forma. Para ele, a natação é uma maneira de fugir ao ambiente fechado dos ginásios e estar em contacto direto com a natureza.

Durante as travessias, já encontrou situações inesperadas, desde problemas com os óculos de natação até encontros com carpas que o acompanharam durante parte do percurso. Também já chegou a aproveitar algumas das deslocações para retirar lixo do canal.

Mais do que exercício físico, o suíço considera que a rotina lhe permite observar o lago de uma perspetiva diferente e desfrutar do nascer do sol e da vida subaquática. Enquanto puder, garante que pretende continuar a ir para o trabalho desta forma.