O desporto escreveu uma daquelas histórias em que o resultado passa para segundo plano: Jai Arrow, de 31 anos, jogador australiano de rugby, despediu-se dos relvados ao atingir os 100 jogos pelos South Sydney Rabbitohs, depois de ter sido diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurológica progressiva e sem cura.
Arrow tinha anunciado em maio o fim imediato da carreira por razões médicas. O internacional australiano estava então com 98 encontros pelos Rabbitohs. Perante a situação, o clube apresentou uma proposta extraordinária à National Rugby League (NRL): permitir que o jogador integrasse a equipa nos dois últimos encontros da fase regular, entrando simbolicamente em campo e sendo substituído nos primeiros segundos, sem participar efetivamente no jogo. A Liga, a associação de jogadores e os adversários deram luz verde à exceção.
Depois do jogo 99, diante dos Gold Coast Titans, chegou o momento mais aguardado. Frente aos Sydney Roosters, no Allianz Stadium, Arrow entrou em campo pela 100.ª vez com a camisola dos Rabbitohs. Mais de 41 mil pessoas assistiram à homenagem. Ao som de 'You’ll Never Walk Alone', o jogador foi recebido de pé, abraçado pelos companheiros e adversários e não conseguiu conter as lágrimas quando encontrou o treinador Wayne Bennett.
A noite terminou com uma vitória dos Rabbitohs, mas o marcador tornou-se secundário. Jai Arrow tornou-se o 67.º jogador da história centenária do clube a chegar aos 100 encontros. Um número transformado numa despedida e, sobretudo, numa poderosa demonstração de solidariedade perante a dramática doença.

















