Nas instalações da DST, em Palmeira, Braga, os livros partilham espaço com máquinas e materiais de construção. O diário espanhol El País publicou há dias uma extensa reportagem sobre a empresa liderada por José Teixeira, onde trabalhadores e dirigentes dedicam uma hora do horário laboral à leitura e podem frequentar gratuitamente aulas de filosofia, pintura ou teatro.
Nos 80 hectares que acolhem a sede do grupo, um campus industrial que alberga cerca de 50 empresas e 4000 trabalhadores, há ainda obras de arte, frases literárias nas paredes e uma biblioteca de 40 mil livros, sublinhando a aposta que a empresa faz na cultura e no conhecimento.
Por detrás desta aposta está José Teixeira, presidente da DST. Nascido em Braga em 1960, começou a trabalhar numa pedreira aos sete anos. Em casa não havia livros; os primeiros que leu chegaram-lhe através de uma instituição que os distribuía na rua. Teixeira atribui à leitura e, mais tarde, ao teatro, um papel decisivo na sua vida, sendo que hoje procura dar aos trabalhadores oportunidades de contacto com a cultura dentro da própria empresa.
40 milhões de euros investidos no Muzeu
Essa presença vai além das estantes. O complexo industrial inclui obras de arte ao ar livre, um estúdio de som e fotografia e oficinas destinadas a receber artistas em residência. Há criadores que visitam as fábricas à procura de desperdícios industriais para transformar em novas peças. Uma obra de José Pedro Croft recorda o trabalho infantil vivido pelo próprio empresário, sendo que a vasta coleção reunida por Teixeira conta, de acordo com o jornal espanhol, com cerca de 1500 obras.

A expressão mais recente deste percurso é o ‘Muzeu’, inaugurado em abril, em Braga. Apresentado como centro de arte contemporânea e pensamento, recebeu um investimento de 40 milhões de euros. Além de expor obras da coleção, promove uma programação que inclui sessões de filosofia para crianças. A sua diretora, Helena Mendes Pereira, descreveu-o ao El País como um espaço que pretende educar, mobilizar e participar na vida da cidade.
A reportagem mostra, assim, uma faceta da DST que ultrapassa a atividade na construção: a aposta continuada no acesso à cultura e ao conhecimento. Para Teixeira, as empresas têm responsabilidades perante a comunidade que vão além do pagamento de impostos. Em Braga, essa convicção traduz-se em tempo para ler, aprender e discutir ideias — tanto no museu como no quotidiano de quem trabalha nas fábricas. É obra!

















