Paulo Fonseca foi apresentado como novo treinador do Sporting, esta quarta-feira, dia 4, e não escondeu a emoção de assumir o comando técnico do clube que sempre apoiou. Aos 53 anos, o sucessor de Rui Borges regressa ao futebol português uma década depois, garantindo estar mais preparado do que nunca para enfrentar o desafio de Alvalade.
"O meu sonho era treinar o Sporting. Estou no clube do meu coração", confessou, durante a apresentação no Estádio José Alvalade, recordando vários ídolos de infância, como Meszaros, Jordão, Manuel Fernandes, Carlos Xavier, Luisinho e Douglas.
"Estes adeptos têm uma paixão única. O Sporting é um clube diferente. Estou muito motivado para construir uma equipa que pratique bom futebol", referiu, mostrando confiança no futuro: "Acredito plenamente no plantel que foi construído."
Depois de passagens por alguns dos principais campeonatos europeus, Fonseca considera que a experiência internacional, em Itália (Milan e Roma), Ucrânia (Shakthar Donetsk) e França (Lille e Lyon), o tornou um treinador mais completo. "O Paulo Fonseca de hoje é melhor do que o Paulo Fonseca que saiu de Portugal", assegurou, acrescentando: "Sinto-me no momento certo para ser treinador do Sporting."
Questionado sobre a possibilidade de conquistar o campeonato, apesar da desvantagem pontual (9 pontos para o líder FC Porto), recusou atirar a toalha ao chão. "No futebol não há impossíveis", respondeu, sublinhando que a prioridade será a evolução da equipa.
Em termos táticos, o novo timoneiro dos leões admitiu não ser adepto de jogar habitualmente com três centrais, embora não exclua essa solução em determinados momentos.
Paulo Fonseca deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao antecessor, Rui Borges, pelo trabalho realizado em Alvalade. "Ontem, tive o prazer de falar com o Rui, numa conversa honesta, entre dois treinadores que entendem estes momentos. Foi uma conversa agradável, de respeito e admiração. Criam-se problemas em situações normais. Até posso contar uma história: quando estava no Milan, estava a jogar com a Roma e o treinador que me veio suceder [Sérgio Conceição] já estava contratado. Tive de tirar as coisas à pressa do cacifo, porque o novo treinador queria entrar. E não recebi nenhum telefonema, nem ele tinha de o fazer. As coisas são assim e são naturais."
Varandas tinha "o sonho de trabalhar com Paulo Fonseca"
Frederico Varandas, de 47 anos, explicou a mudança no comando técnico do Sporting, apesar de classificar como "muito bom" o trabalho de Rui Borges. As derrotas frente ao LASK Linz e ao Académico de Viseu, em Alvalade, pesaram na decisão, sobretudo pela falta de superioridade da equipa. "Rui Borges e a sua equipa técnica não foram medíocres, não foram satisfatórios, não foram bons, foram muito bons", afirmou, recordando o bicampeonato, a dobradinha e a campanha na Liga dos Campeões.
A decisão surgiu após os desaires europeus e diante do Académico de Viseu. "O Sporting não foi superior aos adversários. Essas derrotas, mas também a gestão interna das mesmas, levaram-me a tomar a decisão de não continuar o ciclo de Rui Borges", justificou. Sobre o que aconteceu internamente, fechou a porta a esclarecimentos: "Esses pormenores ficarão entre mim e Rui Borges."
Perante uma sala cheia, Varandas revelou conhecer Fonseca há mais de um ano e ter avançado com o convite no domingo. "Tinha o sonho de um dia poder vir a trabalhar com Paulo Fonseca." O presidente do Sporting mostrou-se convicto de que começa agora um novo ciclo vitorioso: "Ficaria muito surpreendido se não tivesse Paulo Fonseca até ao final do meu mandato", em 2030.

















