Foram conhecidos os detalhes da acusação deduzida pelo Ministério Público contra o homem suspeito de matar Maria Custódia Amaral, filha da malograda atriz Delfina Cruz. O documento revela que a agente imobiliária morreu por asfixia, depois de lhe ter sido colocada película aderente em torno da cabeça, e que o alegado homicida manteve o corpo escondido em casa durante três dias antes de o abandonar.
Maria Custódia Amaral foi dada como desaparecida em janeiro deste ano, na Lourinhã. Dias mais tarde, acabaria por ser encontrada sem vida, num caso que a investigação considera ter sido cuidadosamente planeado por um homem que conhecia a vítima.
Na sequência do desaparecimento, a Polícia Judiciária identificou um suspeito de 35 anos e realizou buscas à sua residência. No interior da habitação foram recolhidos vários vestígios considerados determinantes para a investigação.
Segundo a acusação do Ministério Público, tornada agora pública pelo Correio da Manhã, o arguido terá atraído Maria Custódia Amaral até à sua casa, em São Bartolomeu dos Galegos, alegando que pretendia colocar o imóvel à venda. Na altura, a vítima tinha informado o namorado de que iria reunir-se para fazer a angariação de uma moradia.
De acordo com o documento, já no interior da habitação, o suspeito amarrou-lhe os braços, "despiu-a na totalidade, agrediu-a" e "enrolou película aderente em volta da cabeça", provocando-lhe a morte por asfixia. A acusação sustenta que o homicídio foi premeditado e cuidadosamente preparado, embora o motivo do crime continue por esclarecer.
Após o homicídio, o arguido terá colocado o corpo e a roupa da vítima em sacos de plástico, escondendo-os numa arrecadação da casa, onde permaneceram durante cerca de três dias. O Ministério Público refere ainda que o suspeito saiu da habitação com o telemóvel e o computador portátil de Maria Custódia Amaral.
Ainda segundo a acusação, conduziu o automóvel da vítima até ao Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, onde lançou o telemóvel para um lago e colocou o computador num contentor do lixo. Seguiu depois para Peniche, onde abandonou a viatura e regressou a casa de táxi.
Nos dias seguintes, terá tentado eliminar vestígios do crime e enviado diversas mensagens para o telemóvel da vítima, simulando preocupação com o seu desaparecimento e procurando afastar suspeitas.
Na noite de 23 de janeiro, o homem terá transportado o corpo na bagageira de um automóvel até à Lagoa de Óbidos, onde o enterrou, envolvido em cobertores.
O suspeito acabaria por ser detido oito dias depois pela Polícia Judiciária. Na altura, a força policial explicou que a investigação decorreu "de forma célere e ininterrupta", permitindo reunir "um conjunto robusto de indícios e provas" que conduziram à identificação do presumível autor do crime.
A PJ revelou ainda que, durante a busca domiciliária, foram encontrados "vestígios hemáticos relevantes", além de cartões bancários da vítima, a chave da sua viatura e a roupa que Maria Custódia Amaral vestia no dia em que desapareceu.
O arguido, recorde-se, responde pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver e encontra-se em prisão preventiva desde o primeiro interrogatório judicial, realizado a 2 de fevereiro, aguardando agora julgamento.

















