A vida de Gisela João mudou no início de agosto, quando a família recebeu uma notícia sobre o estado de saúde do irmão. Esta quarta-feira, dia 14, a fadista partilhou um testemunho emocionado sobre os últimos meses – e revelou ter passado um dia no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, onde deu início ao processo para doar medula óssea ao irmão, com quem é compatível.
“Desde o primeiro dia, não tive dúvidas de que faria tudo o que estivesse ao meu alcance. Até cortava um braço, se fosse preciso, para o ter ao meu lado durante muitos anos e continuar a azucrinar-lhe a cabeça”, escreveu Gisela João nas redes sociais, num desabafo em que mistura emoção, esperança e uma boa dose de humor.
Gisela prefere não revelar pormenores sobre a doença do irmão, cuja privacidade faz questão de preservar. Mas não esconde a dor que a doença do irmão lhe provocou. “A minha sensação de missão nesta vida ficou muito clara: ajudar os outros. Neste caso, ajudar o meu irmão”.
A cantora relata a experiência de um dia passado no IPO do Porto. Estava sol, a manha bonita e, ao entrar no hospital, surpreenderam-na a quantidade de pessoas, o movimento dos corredores, os sorrisos e os cumprimentos.
“Por momentos, quase me esquecia de onde estava: um lugar de onde todos queremos estar bem longe e onde, ainda assim, há tanta vida a acontecer”.
Foi, porém, o trabalho dos profissionais de saúde que mais a emocionou. «Passei o dia com lágrimas nos olhos a ver médicos, enfermeiros e auxiliares a trabalhar, a explicar, a receber e a cuidar.»
Gisela João rejeita os habituais discursos sobre “guerreiras” e “guerreiros”. Prefere destacar o trabalho de quem diariamente acompanha pessoas confrontadas com a doença. “Quero falar de pessoas que fazem um trabalho extraordinário num lugar onde a fragilidade humana está em todo o lado. Naquelas pessoas vejo esperança. Muita esperança”.
A cantora admite que continua a sentir medo, mas garante ter saído do hospital com uma energia renovada. “Não porque tenha deixado de ter medo, mas porque percebi que há tanta gente a fazer tudo o que pode para que a vida continue”.
A experiência levou-a também a assumir um compromisso público: sensibilizar os portugueses para a importância da dádiva de medula óssea. Gisela João quer explicar como funciona o processo, esclarecer dúvidas e incentivar a inscrição de potenciais dadores, que poderão revelar-se compatíveis com doentes à espera de um transplante.

















