O príncipe Harry, de 41 anos, saiu derrotado no processo que movia contra a Associated Newspapers Limited (ANL), empresa proprietária dos jornais Daily Mail e The Mail on Sunday. A decisão foi conhecida agora, com o Tribunal Superior de Londres a rejeitar as acusações apresentadas pelo duque de Sussex e por outras figuras públicas, entre elas Sir Elton John (79), relativas à alegada obtenção ilícita de informação por parte da editora.

A sentença, com mais de 400 páginas, foi proferida pelo juiz Nicklin, que concluiu que não existiam provas suficientes para demonstrar que os artigos contestados resultaram de práticas ilegais, como a interceção de mensagens de voz ou outros métodos ilícitos.

Na decisão, o magistrado reconheceu que Harry procurou transmitir ao tribunal o impacto pessoal que o caso teve na sua vida. "Ficou evidente que desejava que o tribunal compreendesse o impacto pessoal das questões em discussão", escreveu o juiz, acrescentando, contudo, que essa postura "não afetou a qualidade do seu depoimento".

Ao analisar um dos artigos em causa, relacionado com a nomeação de Harry como padrinho do filho da antiga ama Tiggy Legge-Bourke, o tribunal concluiu que não foi demonstrado que a informação tivesse sido obtida através de escutas telefónicas ou de qualquer outro meio ilegal.

"Cabe ao Príncipe Harry provar que as informações (...) foram obtidas por meios ilícitos", refere a decisão judicial, sublinhando que "não há provas documentais" que sustentem essa alegação.

Após o anúncio da sentença, a Associated Newspapers considerou tratar-se de "uma vitória esmagadora para o Daily Mail, para os seus jornalistas e para a liberdade de imprensa". A empresa destacou ainda que o tribunal rejeitou todas as alegações apresentadas pelos requerentes e garantiu que os artigos publicados tiveram origem em "fontes legítimas".

A editora sustentou ainda que nunca foram apresentadas provas credíveis para acusações como escutas em casas ou automóveis, interceção de chamadas telefónicas ou acesso ilegal a contas bancárias, classificando essas suspeitas como "sensacionalistas" e "absurdas".

Durante o julgamento, que decorreu ao longo de dois meses e meio, Harry prestou depoimento presencialmente em Londres, no início do ano. O duque emocionou-se várias vezes ao recordar o impacto que a cobertura mediática teve na sua vida pessoal e na da mulher, Meghan Markle (44).

"Eles continuam a perseguir-me, transformaram a vida da minha mulher num verdadeiro inferno", afirmou perante o tribunal.

O advogado de Harry, David Sherborne, defendeu que os artigos publicados entre 2001 e 2013 invadiram profundamente a privacidade do príncipe, incidindo sobre as suas relações pessoais antes de conhecer Meghan. O representante legal sustentou ainda que o seu cliente viveu durante anos com sentimentos de "angústia" e "paranoia", convencido de que era alvo de uma campanha contínua por parte da editora.

Além de Harry, integravam esta ação judicial personalidades como Sir Elton John, David Furnish (63), Elizabeth Hurley (61) e a baronesa Doreen Lawrence (73), que acusavam a Associated Newspapers de recorrer a práticas ilegais para recolher informação, incluindo interceção de mensagens de voz, utilização de investigadores privados e obtenção fraudulenta de dados pessoais.