Um homem, de 71 anos, foi libertado esta semana depois de ter passado mais de quatro décadas preso nos EUA, grande parte desse período no corredor da morte, devido a um caso de homicídio. Novas análises de ADN excluíram Douglas Stewart Carter do material genético recolhido em elementos fundamentais da cena do crime pelo qual foi condenado.

Carter tinha sido condenado à morte em 1985 pelo homicídio de Eva Olesen, de 57 anos, ocorrido em Provo, no estado norte-americano do Utah. Não existiam provas físicas que o ligassem diretamente ao local do crime e a condenação assentou, em grande parte, numa confissão assinada – que o homem sempre garantiu ter sido obtida sob coação – e no testemunho de duas pessoas. Essas testemunhas acabaram mais tarde por retirar os depoimentos e alegaram ter sido pressionadas e beneficiadas pelas autoridades.

Em 2025, o Supremo Tribunal do Utah anulou a condenação e determinou a realização de um novo julgamento devido a irregularidades na investigação. Mais recentemente, testes realizados a vestígios encontrados, nomeadamente, numa maçaneta e no cabo de uma faca usada no crime excluíram Carter como fonte do ADN analisado.

Perante os novos resultados, o Ministério Público desistiu de voltar a pedir a pena de morte e decidiu reavaliar o processo. Um juiz autorizou agora Carter a aguardar em liberdade sob fiança, sujeito a vigilância por GPS e a outras condições.

Apesar da libertação e das novas provas, Carter ainda não foi formalmente ilibado do homicídio: a acusação continua pendente e está previsto um novo julgamento para 2027. Os procuradores sublinham que os resultados de ADN enfraquecem o processo, mas consideram que, por si só, não constituem uma exoneração judicial. Carter, por sua vez, mantém a posição que assumiu durante décadas: sempre negou ter matado Eva Olesen.