Jorge Jesus, de 72 anos, voltou a enfrentar uma bateria de perguntas sobre Cristiano Ronaldo (41) e procurou colocar um ponto final na polémica que marcou os últimos dias da Seleção Nacional. Na conferência de imprensa de antevisão ao duelo com a Dinamarca, da terceira jornada da fase de grupos da Liga das Nações, o selecionador insistiu que “não houve caso nenhum” e pediu que as atenções regressem ao que considera verdadeiramente importante: o próximo jogo de Portugal.
“Não é que tenha problema de responder, mas o foco é a Dinamarca. Parece que vimos aqui fazer um jogo amigável, sem interesse nenhum”, começou por afirmar Jesus, incomodado com a insistência nas perguntas sobre o capitão português.
O selecionador voltou então a explicar o que aconteceu no encontro anterior. Jesus já tinha comunicado a Ronaldo que não pretendia utilizá-lo nos dois jogos, mas, perante aquilo que se passava dentro de campo, equacionou mudar o plano. “Eu disse ao Cris que ele não ia jogar estes dois jogos. Pensei durante o jogo: se calhar, vou precisar e vai aquecer. E depois não o pus no jogo”, contou.
Jesus reconheceu que a situação dificilmente agradaria ao cinco vezes vencedor da Bola de Ouro. “Qualquer jogador, quando anda ali a aquecer 20 ou 30 minutos e depois não entra, não fica contente. Quanto mais o Cris. Quanto mais se fosse o Pelé ou o Maradona”, declarou, lembrando o estatuto do internacional português, mas sublinhando imediatamente que “os direitos são iguais” e que a decisão pertence ao treinador.
A dimensão que o episódio ganhou em Portugal acabou, porém, por levar Jesus a conversar diretamente com Ronaldo. “Obrigaram-me a falar com o Cris de um caso que não havia caso”, afirmou. O selecionador revelou mesmo parte do diálogo entre ambos: “Cris, em Portugal está a falar-se tanto... que temos de falar. Não estou a perceber o que está a acontecer.”
Segundo Jesus, a resposta de Ronaldo não deixou dúvidas quanto à aceitação das decisões técnicas. “Estou aqui para tu decidires. Queres que eu jogue, eu jogo. Queres que eu vá para a bancada, eu vou”, terá dito o capitão.
Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, também quis perceber o que tinha acontecido. Jesus desvalorizou qualquer leitura de crise e garantiu que a situação ficou rapidamente esclarecida: “Depois de jantar, já tínhamos resolvido o problema, que não era problema.”
No final, o selecionador deixou uma das frases mais fortes da conferência e reforçou a sua autoridade no balneário. “Sou o treinador. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero!” Para Jesus, o capítulo Ronaldo está encerrado. Agora, insiste, todas as atenções devem estar na Dinamarca e nos três pontos em disputa na Liga das Nações.

















