O governo dos Estados Unidos suspendeu a Microsoft e outras grandes empresas tecnológicas de um programa que permite a trabalhadores estrangeiros obter residência permanente no país, por suspeitas de fraude. O anúncio foi feito pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance, de 42 anos, que acusou as empresas de utilizarem o sistema para substituir trabalhadores dos EUA por mão de obra estrangeira.
Em causa está um mecanismo que obriga as empresas a anunciar vagas no mercado de trabalho norte-americano antes de pedirem ao Departamento do Trabalho autorização para patrocinar um trabalhador estrangeiro na obtenção de um green card, o cartão de residência permanente.
Segundo Vance, algumas empresas publicam anúncios em jornais de pequenas localidades, alegando posteriormente que não encontraram candidatos nacionais disponíveis. O homem de confiança de Trump considera que esta prática permite contornar as regras e prejudicar os trabalhadores norte-americanos.
"Infelizmente, não houve nenhuma empresa nos Estados Unidos que tenha utilizado este sistema mais do que a Microsoft", acusou.
Além da gigante tecnológica, a suspensão abrange a Adobe e as empresas de consultoria tecnológica Cognizant, Infosys, Tata, Wipro, HCL e Capgemini.
A Microsoft já reagiu, afirmando que está disponível para fornecer informações adicionais ao governo. A empresa revelou ter apresentado cerca de seis mil pedidos de vistos H-1B no último ano fiscal, mas esclareceu que 80% se destinavam a prolongar ou alterar o estatuto de funcionários que já trabalhavam na empresa.
Os restantes pedidos para novos colaboradores correspondiam a pessoas que já se encontravam legalmente nos Estados Unidos e representavam apenas 1% da força de trabalho da Microsoft no país, segundo a própria empresa.
Os vistos H-1B permitem contratar profissionais estrangeiros altamente qualificados para funções especializadas, enquanto os vistos J-1 abrangem programas de intercâmbio, incluindo estudantes internacionais.
O programa H-1B tem sido alvo de críticas por parte dos apoiantes do presidente Donald Trump, que defendem que a contratação de estrangeiros pode prejudicar os trabalhadores norte-americanos. A administração tem procurado restringir o acesso a estes vistos, incluindo através de propostas de aumento das taxas cobradas aos empregadores.

















