O presidente da Argentina, Javier Milei, que faz amanhã 56 anos, voltou a atacar o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (80), e insinuou que poderá haver fraude nas eleições presidenciais, de domingo, 25.
Numa publicação nas redes sociais, na segunda-feira (19), Milei partilhou críticas ao chefe de Estado brasileiro e escreveu que esperava que a última manobra da campanha não envolvesse "roubar a eleição", chamando ainda Lula de "esquerdista ladrão". As declarações foram feitas a poucos dias da segunda volta das eleições, marcada para domingo, 25.
A publicação surgiu depois de Lula ter afirmado, durante um debate eleitoral com Flávio Bolsonaro, que o senador poderia enfrentar problemas judiciais após perder a imunidade parlamentar, caso não fosse eleito presidente. Milei reagiu às declarações e voltou a questionar a integridade do processo eleitoral brasileiro, além de dirigir insultos ao líder do PT.
Em resposta, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil, conhecido como Itamaraty, classificou as declarações como uma "nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro". Numa nota divulgada na terça-feira, 20, o ministério afirmou que o presidente argentino estava a repetir informações falsas divulgadas por pessoas que contestaram os resultados eleitorais anteriores e estiveram envolvidas na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
O Itamaraty defendeu ainda a segurança do sistema de voto eletrónico brasileiro, afirmando que este nunca registou irregularidades que comprometam a sua fiabilidade. Segundo o ministério, observadores eleitorais internacionais já tinham confirmado a segurança do sistema durante a primeira volta. A diplomacia brasileira sublinhou que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente aos eleitores do país, sem interferências externas.
Os ataques de Milei agravam a tensão diplomática entre o Brasil e a Argentina, que aumentou em julho, quando o presidente argentino participou na convenção nacional do Partido Liberal (PL), que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Na ocasião, Milei insultou Lula e dirigiu críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Na sequência dos ataques, recorde-se, o governo brasileiro convocou o seu embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas e pediu explicações à diplomacia argentina. Posteriormente, decidiu não fazer regressar o embaixador à Argentina, reduzindo o nível da representação diplomática brasileira no país vizinho.

















