Um homem de 20 anos foi preso na noite de quarta-feira, dia 7, depois de dar um pontapé numa imagem de Nossa Senhora do Rosário, no interior de uma igreja histórica em Resende Costa, na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais. A imagem caiu ao chão e ficou danificada. O episódio ocorreu durante o encerramento das atividades religiosas e foi comunicado às autoridades.
De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Militar, o homem entrou no templo pela sacristia, correu em direção ao salão principal e atingiu a imagem, que estava num andor preparado para as celebrações religiosas. O impacto também afetou castiçais e elementos decorativos. A peça, datada do século XVIII, tinha sido recentemente restaurada e integra o património cultural inventariado do município.
Testemunhas relataram que o suspeito terá proferido ofensas de carácter religioso durante o episódio. A Polícia Civil de Minas Gerais ratificou a prisão em flagrante por suspeita de intolerância religiosa. As circunstâncias da ocorrência estão a ser investigadas pelas autoridades.
O caso surge num contexto de polémicas envolvendo símbolos religiosos e disputas políticas no Brasil. Nos últimos meses, episódios de desrespeito a imagens religiosas e locais de culto têm alimentado discussões sobre intolerância religiosa e a proteção do património sacro. A ocorrência em Minas Gerais soma-se a esse debate, embora não haja informações que permitam estabelecer uma ligação direta entre este ataque e outros episódios.
A discussão sobre símbolos religiosos ganhou também dimensão política após a divulgação de informações sobre uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, apoiador de Flávio Bolsonaro. A iniciativa pretendia alterar a designação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, restringindo o título aos brasileiros católicos apostólicos romanos. O projeto acabou arquivado em 2008 e voltou a ser tema de debate durante a campanha eleitoral de 2026.
O ataque em Resende Costa reforça a discussão sobre a proteção de igrejas, imagens sacras e outros bens históricos. A Constituição brasileira garante a liberdade de consciência e de crença, bem como o livre exercício dos cultos religiosos. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da ocorrência e determinar as responsabilidades do suspeito.

















