Alan Greenspan, o economista que presidiu à Reserva Federal dos Estados Unidos durante 19 anos, sob quatro presidentes, morreu esta segunda-feira, dia 22, vítima de complicações da doença de Parkinson. Tinha 100 anos. A notícia foi confirmada pela sua mulher, a jornalista da NBC Andrea Mitchell.

Greenspan ajudou a definir o capitalismo americano moderno desde os anos finais da Guerra Fria até ao início da era digital, tendo presidido à Fed durante uma das mais longas expansões económicas da história dos Estados Unidos, entre 1991 e 2001.

Nascido a 6 de Março de 1926 em Nova Iorque, Greenspan chegou a equacionar uma carreira na música (tocou clarinete e saxofone e frequentou a Juilliard School)n antes de se dedicar à economia. Estudou na Universidade de Nova Iorque e doutorou-se em Columbia, onde conheceu Arthur Burns, futuro presidente da Fed e uma das suas maiores influências profissionais.

Foi nomeado presidente da Reserva Federal em Agosto de 1987, pelo presidente Ronald Reagan, tendo permanecido no cargo até Janeiro de 2006, num dos mandatos mais longos da história da instituição. Ficou mundialmente conhecido pela expressão "exuberância irracional dos mercados", cunhada num discurso de 1996 que abalou as bolsas de todo o mundo.

No seu primeiro grande teste à frente da Fed (a 'Segunda-Feira Negra' de outubro de 1987, em que o índice Dow Jones perdeu mais de 22% numa única sessão), agiu rapidamente para assegurar liquidez nos mercados, numa intervenção que lançou a sua lenda e que ficou conhecida como o 'Greenspan put'.

O seu legado não é isento de críticas. Muitos analistas responsabilizaram-no por ter ignorado os sinais de formação das bolhas das dot-com e imobiliária, que culminou na Grande Recessão de 2008. Já em janeiro útimo, com 99 anos, assinou uma declaração conjunta com outros antigos responsáveis da Fed e do Tesouro a condenar uma investigação criminal ao atual presidente da instituição, Jerome Powell.