A venda de 90% da SAF do Vasco da Gama, por 700 milhões de euros, está a provocar uma autêntica tempestade no futebol brasileiro e abriu uma guerra dentro do Palmeiras. No centro da polémica está Marcos Lamacchia, empresário que lidera o acordo para assumir o controlo da sociedade do histórico clube carioca e que é enteado de Leila Pereira, presidente do verdão.

O negócio, aprovado esta terça-feira, dia 6, e avaliado em mais de 700 milhões de euros, levantou suspeitas entre grupos organizados de adeptos palmeirenses. Marcos é filho de José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira e fundador da Crefisa, empresa presidida pela dirigente e que foi durante uma década, até ao final de 2024, a principal patrocinadora do Palmeiras. José Roberto e empresas ligadas ao grupo familiar surgem ainda como fiadores da operação.

Os movimentos Ocupa Palestra e Arquibancada denunciaram publicamente aquilo que consideram serem “evidentes riscos de conflito de interesses”, por envolver familiares e empresas próximas da presidente na aquisição da SAF de um clube que compete diretamente com o Palmeiras no futebol brasileiro.

Leila Pereira reagiu com dureza à contestação. A dirigente classificou os críticos como “meia dúzia de imbecis” e rejeitou qualquer conflito de interesses. A polémica levou mesmo a presidente do clube orientado pelo português Abel Ferreira a anunciar que não continuará no Palmeiras depois de terminar o atual mandato.

Leila foi ainda mais longe, garantindo que, nessa altura, pretende abandonar o futebol. Uma operação destinada a mudar o futuro do Vasco acabou, assim, por provocar um sismo a centenas de quilómetros do Rio de Janeiro e por antecipar o fim da era Leila Pereira no Palmeiras.