Barack Obama, de 65 anos, criticou este sábado, dia 10, em Lisboa, a nostalgia de uma alegada "América real", marcada pela discriminação racial e pela desigualdade entre homens e mulheres. Perante dez mil pessoas, na MEO Arena, o antigo presidente norte-americano apelou a uma liderança política que defenda a democracia e reconheça uma "humanidade comum".

"Tem havido um esforço de dizer que há uma América real, uma nostalgia de quando as pessoas negras eram silenciosas e não estavam na Casa Branca e as mulheres sabiam o seu lugar, na cozinha e em casa", afirmou o democrata, recebendo fortes aplausos da plateia.

No encerramento da sexta edição do 'Game Changers Forum', Obama defendeu uma nova geração de dirigentes políticos: "O que precisamos agora é de líderes que representem o seu próprio povo e apreciem as tradições, cultura e história, mas também que vejam que quem está noutro país também tem esperanças e sonhos, que temos uma humanidade comum, mais do que desconfiança."

"É o tipo de liderança de que precisamos no palco internacional", insistiu o antigo presidente, que governou os Estados Unidos entre 2009 e 2017.

Obama reforçou a mensagem com um apelo à igualdade: "O que precisamos agora é de líderes suficientemente confiantes que digam: 'eu quero viver num mundo onde as minhas filhas têm as mesmas oportunidades que os meus filhos, onde o meu vizinho não me ameaça e eu não sinto que tenha de ser superior'."

Num discursivo sereno mas incisivo, no 'Game Changers Forum', o Prémio Nobel da Paz em 2009 salientou: "Precisamos desse impulso democrático na nossa liderança e de líderes que compreendem os valores da democracia e da igualdade."

O antigo chefe de Estado norte-americano defendeu ainda "novas instituições que possam mover-se mais depressa para realmente entregar resultados às pessoas".

Sem mencionar nunca diretamente Donald Trump, Obama abordou também os limites do poder presidencial em matéria militar. "Tecnicamente, um presidente não pode começar uma guerra sem aprovação do Parlamento", afirmou, perante novos aplausos na Meo Arena. A declaração surge no contexto dos ataques norte-americanos ao Irão, desencadeados por Trump sem autorização legislativa prévia.

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