A Parques de Sintra prevê manter em 2026 o número de visitantes registado nos seus monumentos, estimado em cerca de três milhões, mas pretende alterar a forma como o turismo é distribuído e vivido no concelho. A estratégia passa por reforçar os conteúdos culturais disponíveis e proporcionar visitas mais demoradas, numa tentativa de reduzir o impacto provocado pelo turismo e os constrangimentos apontados pelos moradores.

Os novos projetos foram apresentados esta quinta-feira, dia 17, por João Sousa Rego, presidente do conselho de administração da Parques de Sintra, durante um encontro com jornalistas.

Entre as intervenções previstas está o restauro do Santuário da Peninha, em Sintra. O concurso público deverá ser lançado em breve e os trabalhos têm início previsto “até ao final do ano”. A primeira fase da intervenção representa um investimento de um milhão de euros.

“Vai ser um desafio bom”, afirmou João Sousa Rego, que explicou que ainda não está decidido qual será a utilização daquele espaço depois de concluído o restauro.

A empresa tem também prevista para 2026 a plantação de 20 mil árvores. A operação surge depois dos danos provocados por várias tempestades, nomeadamente Kristin e Martinho, que terão causado a queda de cerca de 250 mil árvores.

“Houve uma alteração total do coberto vegetal, impõem-se investimentos continuados”, explicou o responsável. Apesar da dimensão dos trabalhos, garantiu que não está previsto “qualquer atraso” nos planos de limpeza das árvores afetadas.

A intervenção no espaço natural inclui ainda a criação de um “bosque mediterrânico”, com o objetivo de favorecer a biodiversidade, bem como a redução da presença de espécies exóticas e invasoras.

Para este ano, a Parques de Sintra aumentou para 3,6 milhões de euros o investimento destinado à intervenção no parque natural, o dobro do valor anteriormente previsto.

No que diz respeito à gestão dos monumentos, entre os quais se encontram o Palácio da Pena e o Palácio de Queluz, a empresa não prevê um crescimento significativo do número de visitantes. A estimativa aponta para uma manutenção dos cerca de três milhões registados em 2025: “O objetivo não é aumentar o número de visitas, mas permitir que os turistas permaneçam mais tempo e levem uma experiência diferenciada.”

A estratégia pretende também responder às críticas dos residentes de Sintra relativamente à pressão turística, sobretudo na zona histórica da vila, onde a concentração de visitantes e de veículos turísticos tem contribuído para problemas de circulação.

Uma das medidas já implementadas passa pela inclusão de um título de transporte no bilhete de entrada nos monumentos. Segundo o responsável, a solução permite antecipar a procura e ajuda os visitantes a perceberem previamente como chegar aos locais.

A Parques de Sintra pretende, além disso, aumentar a oferta de conteúdos culturais nos espaços que administra. Entre as possibilidades estão visitas encenadas e a apresentação ao público de peças que permaneciam guardadas e que foram identificadas através do trabalho de investigação e levantamento desenvolvido pela empresa: “Queremos que os visitantes possam conhecer o máximo possível que chegou até nós.”

A conservação dos monumentos continuará igualmente a assentar numa lógica de intervenção regular. O objetivo, segundo o responsável, é evitar que os edifícios cheguem a um estado de degradação que exija grandes obras ou intervenções de fundo.

A estratégia passa por detetar os problemas numa fase inicial e corrigi-los antes que se agravem, para garantir uma manutenção contínua e evitar, no futuro, a necessidade de grandes intervenções associadas a inaugurações.