Luciano Gonçalves, de 45 anos, já quebrou o silêncio sobre a polémica aberta pela demissão de Duarte Gomes (53) do cargo de diretor técnico nacional de arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, rejeitando qualquer tentativa de condicionar árbitros ou interferir no exercício das suas funções.

O presidente do Conselho de Arbitragem da FPF garantiu que "nunca" procurou influenciar qualquer árbitro, numa reação ao caso que abalou a estrutura federativa nas últimas horas. Em causa estão os motivos invocados por Duarte Gomes para abandonar o cargo, que terão sido comunicados formalmente e levantaram suspeitas sobre alegadas interferências no setor das nomeações.

"Nunca dei qualquer indicação sobre classificações, promoções, despromoções ou nomeações de árbitros. Sempre respeitei a autonomia técnica dos departamentos e das pessoas que comigo trabalharam. Tenho a consciência absolutamente tranquila", assumiu Luciano Gonçalves, acrescentando estar "totalmente disponível para colaborar com o processo de averiguação", desencadeado pela Federação Portuguesa de Futebol e com quaisquer autoridades competentes, defendendo que o apuramento dos factos deve decorrer "com serenidade" e sem julgamentos antecipados.

A Federação Portuguesa de Futebol anunciou entretanto que remeteu os factos relatados para o Ministério Público, ao abrigo do regime jurídico da integridade no desporto, e que o Conselho de Justiça instaurou um processo de inquérito. A decisão agravou o impacto institucional do caso, que já levou Benfica, FC Porto e Liga Portugal a pedirem esclarecimentos públicos à FPF.

Duarte Gomes, antigo árbitro internacional, estava em funções desde julho de 2025 e saiu depois de divergências com a liderança da arbitragem. Na mensagem enviada aos árbitros, assumiu gratidão pelo trabalho realizado, mas posteriormente referiu uma denúncia que, segundo disse, suscitou "preocupações institucionais muito relevantes".