A madrugada desta terça-feira, dia 20, ficou marcada pela intervenção policial na acampada pelo direito à habitação instalada no Rossio, em Lisboa. A PSP avançou para retirar as tendas, deteve vários manifestantes e foi acusada por ativistas de recorrer à força durante a operação. Depois de abandonarem o local, os participantes reuniram-se na Praça da Figueira e decidiram continuar o protesto.

A intervenção começou antes das 06:00, quando a Polícia exigiu o fim da acampada, numa operação realizada em simultâneo com a retirada do acampamento que decorria no Porto. Em Lisboa, os manifestantes tentaram impedir o avanço dos agentes através de um cordão humano, mas o Corpo de Intervenção avançou sobre o grupo e efetuou várias detenções.

A porta-voz da Acampada de Lisboa, Ana Luíza, afirmou à SIC que cerca de 50 pessoas foram detidas e classificou a intervenção como "muito agressiva". Os manifestantes comunicaram a situação a um advogado, que começou a recolher informações para posterior contacto com as autoridades.

Tendas retiradas e acessos condicionados

Pouco depois das 07:00, já não havia manifestantes no centro do Rossio. Os serviços municipais de limpeza começaram a remover tendas e cartazes, enquanto os pertences eram retirados do local. A praça permaneceu encerrada ao trânsito, com dezenas de veículos policiais na zona, e os acessos à estação de metro do Rossio foram temporariamente condicionados por indicação da PSP.

Entretanto, mais de 50 agentes mantinham-se posicionados na Rua do Amparo, entre o Rossio e a Praça da Figueira, onde cerca de uma centena de pessoas participava numa assembleia popular. Pelas 07:30, os manifestantes decidiram prosseguir a mobilização e anunciaram que pretendem regressar ao local nos próximos dias, incluindo para recuperar os bens retirados do acampamento.

Durante a concentração, ouviram-se palavras de ordem contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e em defesa do direito à habitação. Nas redes sociais, a Acampada de Lisboa anunciou ainda uma manifestação para as 19:00, no Rossio.

No Porto, manifestantes desmontaram o acampamento

Ao contrário do que aconteceu em Lisboa, os participantes que estavam acampados na Praça D. João I, no Porto, acabaram por retirar as tendas e abandonar o espaço perante a ameaça de uma intervenção policial. O grupo, que protestava há cerca de uma semana contra as dificuldades de acesso à habitação, afirmou que pretende continuar a luta de forma ordeira e pacífica.

Segundo um advogado dos manifestantes, Tiago Machado, os jovens cumpriram a ordem de saída e começaram a recolher os seus pertences após a chegada da polícia. O responsável salientou, contudo, que o pedido apresentado à Câmara Municipal continuava pendente e que o prazo comunicado para a manifestação só terminava à meia-noite desta terça-feira.

Uma das participantes disse à Lusa que o grupo foi surpreendido pela presença policial por volta das 05:00. A jovem, que não quis identificar-se, afirmou que os manifestantes não pretendiam desobedecer às autoridades, mas recordou uma intervenção anterior que, segundo relatou, tinha sido marcada pela violência.

Créditos: @acampada.lisboa/Instagram