O rei Carlos III, de 77 anos, não irá residir no Palácio de Buckingham, apesar de os contribuintes terem suportado cerca de 369 milhões de libras (aproximadamente 427 milhões de euros) em obras de renovação do edifício.

O palácio continuará a funcionar como centro administrativo da monarquia após a conclusão do projeto de modernização, previsto para durar uma década, mas o soberano decidiu que não será essa a sua residência oficial durante o reinado. O rei e a rainha consorte manter-se-ão na Clarence House, em Londres, enquanto o monarca continuará a dividir o seu tempo por outras residências, incluindo propriedades na Escócia, em Gloucestershire e Norfolk, além do Castelo de Windsor, em Berkshire.

A decisão encerra, na prática, quase dois séculos de ligação residencial da monarquia ao Palácio de Buckingham, desde que a rainha Vitória se instalou no edifício em 1837.

Fontes do Palácio indicam que o espaço continuará a receber visitas de Estado, cerimónias oficiais e eventos institucionais. “Sua Majestade nutre um enorme carinho pelo Palácio de Buckingham e um profundo respeito pelo seu papel na vida real e pública”, referiu um porta-voz, acrescentando: “Em todos os outros aspetos, continuará a ser um centro vibrante de atividade real.”

Com a divulgação do mais recente relatório financeiro da família real, ficou igualmente patente um aumento significativo do financiamento público atribuído à monarquia, que deverá aproximar-se dos 100 milhões de libras (cerca de 116 milhões de euros) anuais nos próximos anos.

A revisão foi aprovada pelos Administradores Reais, incluindo o primeiro-ministro Keir Starmer (63), a chanceler Rachel Reeves (47) e o responsável pela gestão financeira da Casa Real, James Chalmers.

As autoridades da realeza explicam que o reforço servirá para cobrir atrasos na manutenção de palácios, reforçar a segurança digital e melhorar a eficiência energética dos edifícios, incluindo a substituição de sistemas antigos no Castelo de Windsor. “Não é um cheque em branco”, sublinhou James Chalmers, defendendo a necessidade de critérios de rigor na gestão dos fundos.

Os dados divulgados incluem também informação sobre patrimónios privados e estruturas associadas à Coroa. Pela primeira vez, foi indicado que o príncipe William (44) ultrapassa o rei em riqueza ligada ao ducado da Cornualha, com cerca de 1,2 mil milhões de libras (1,4 mil milhões de euros), enquanto Carlos III surge com uma fortuna estimada em 742 milhões de euros.

No plano fiscal, o rei terá pago mais de 35 milhões de euros em impostos desde a sua ascensão ao trono, enquanto o príncipe de Gales contribuiu com vários milhões em impostos sobre rendimentos e mais-valias nos últimos exercícios.