O empresário brasileiro Joesley Batista, considerado como o homem mais rico do Brasil, terá desempenhado um papel decisivo na aproximação entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump, segundo relatos divulgados no Brasil e que estão a provocar forte repercussão nos meios políticos e empresariais.

De acordo com as informações tornadas públicas, Lula encontrava-se com dificuldades em conseguir marcar uma reunião oficial com Trump antes de uma deslocação aos Estados Unidos, tendo comentado essa situação durante um encontro no Palácio da Alvorada com Joesley Batista, um dos donos da gigante agroalimentar JBS. O empresário terá então sugerido ligar diretamente ao líder norte-americano.

Segundo os relatos, Lula — conhecido por não utilizar telemóvel pessoal — autorizou a iniciativa. Joesley pediu então que lhe trouxessem o seu próprio telefone celular e, na presença do chefe de Estado brasileiro, contactou Donald Trump, que terá atendido “ao terceiro toque”.

A conversa entre os dois presidentes terá servido para desbloquear contactos diplomáticos e preparar uma futura visita de Lula à Casa Branca, onde deveriam ser debatidos temas como tarifas comerciais, relações económicas bilaterais e cooperação no combate ao crime organizado.

Joesley Batista, de 52 anos, é um dos homens mais ricos do Brasil e aparece na lista da revista Forbes como bilionário, com fortuna estimada em 25,5 bilhões de reais, qualquer coisa como 6 mil milhões de euros. Juntamente com o irmão Wesley, lidera a J&F, a holding familiar que, além da proteína animal, possui investimentos em setores tão díspares quanto banca, papel e celulose e construção.

O episódio está a ser visto no Brasil como mais uma demonstração da influência e capacidade de articulação internacional de Joesley Batista, figura central de alguns dos maiores escândalos político-financeiros brasileiros da última década, mas que continua a manter acesso privilegiado aos principais centros de poder.