A Venezuela acusou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, de 77 anos, de fazer declarações "incompatíveis com o seu alto cargo" após o português afirmar acreditar que houve "grandes cumplicidades" dentro do sistema político venezuelano na captura de Nicolás Maduro.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira, dia 11, o Governo venezuelano expressou "firme protesto" contra as declarações de Guterres, considerando-as "contrárias aos princípios de objetividade, prudência, imparcialidade e boa-fé estabelecidos na Carta das Nações Unidas". Caracas acusou ainda o secretário-geral de manter "uma postura de silêncio ou ambiguidade" perante o conflito na Palestina e outras crises globais, o que, de acordo com o Governo venezuelano, "enfraquece a sua autoridade moral".

As declarações de Guterres foram feitas numa conferência de imprensa em Nairobi, no Quénia, onde o líder das Nações Unidas comentou a operação militar lançada pelos Estados Unidos (EUA) em janeiro contra a Venezuela, que culminou na captura do ex-presidente Maduro: "Honestamente, assistimos a uma operação militar contra Maduro, mas tenho a impressão de que houve grandes cumplicidades dentro do sistema político venezuelano", afirmou.

O Governo venezuelano considerou ainda que as Nações Unidas "nunca antes enfrentaram uma deterioração tão profunda da sua credibilidade perante os povos do mundo" e que Guterres "tem sido incapaz de garantir o equilíbrio e a adesão aos princípios da Carta da ONU".

O segundo mandato de António Guterres à frente das Nações Unidas, recorde-se, termina em dezembro, sendo que a próxima liderança iniciará funções a 1 de janeiro de 2027. Entre os candidatos ao cargo estão a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan e o ex-presidente do Senegal Macky Sall.