A ascensão do YouTube como principal destino de consumo de vídeo está a obrigar a Netflix a reinventar a sua estratégia. Depois de anos a dominar o mercado do streaming com séries e filmes, a plataforma prepara-se para apostar em conteúdos curtos, numa tentativa clara de conquistar o tempo que os utilizadores dedicam diariamente a aplicações como YouTube, TikTok e Instagram.
A partir de 3 de agosto, a Netflix começará a disponibilizar vídeos entre três e vinte minutos produzidos por grupos de media como Condé Nast, Variety e Rolling Stone, numa primeira fase em seis mercados de língua inglesa. O objetivo é manter os subscritores ligados à plataforma mesmo quando não estão disponíveis para assistir a conteúdos longos.
A mudança surge numa altura em que o YouTube reforça a sua liderança no consumo de televisão nos Estados Unidos. Em abril, a plataforma representava 13,4% da audiência televisiva, muito acima dos 7,8% da Netflix, uma tendência impulsionada, entre outros fatores, pelo enorme sucesso das transmissões em direto da CazéTV, que demonstraram como os eventos ao vivo e os formatos digitais podem captar milhões de espectadores.
Mas a resposta da Netflix não ficará pelos vídeos curtos. A empresa estuda lançar canais com programação contínua, disponíveis 24 horas por dia, agregar serviços concorrentes em pacotes únicos e reforçar a aposta no desporto, depois de assegurar direitos da Copa do Mundo Feminina de 2027 e dos jogos de Natal da NFL.
Com as ações a acumularem uma forte desvalorização nos últimos doze meses, a plataforma procura recuperar níveis de envolvimento e receitas publicitárias. O paradoxo é evidente: a empresa que revolucionou a forma de ver televisão está agora a aproximar-se, cada vez mais, do modelo que ajudou a transformar.
















