O julgamento de Adriano Quintanilha, antigo responsável máximo da equipa de ciclismo W52-FC Porto, e de um inspetor da Polícia Judiciária (PJ) foi adiado. A primeira sessão estava marcada para esta quarta-feira, dia 7, mas só deverá começar a 16 de outubro, às 10:00, no Tribunal de Felgueiras.
A decisão foi tomada depois de um pedido apresentado pela defesa de Quintanilha. Neste processo, está em causa um documento que terá sido criado para afastar o antigo dirigente e a Associação Calvário Várzea, estrutura que esteve na origem da W52-FC Porto, do esquema de doping investigado na Operação Prova Limpa.
Segundo o Ministério Público (MP), Quintanilha e o inspetor da PJ terão combinado criar um Código de Conduta com uma data anterior à verdadeira. O documento indicaria que a direção desconhecia a utilização de substâncias proibidas na equipa, procurando assim afastar responsabilidades.
O MP acredita que este plano começou depois das buscas realizadas em abril de 2022. O documento terá depois sido entregue ao então diretor desportivo Nuno Ribeiro e aos ciclistas para ser assinado. Segundo a acusação, um dos atletas terá sido ameaçado com a possibilidade de não receber o salário caso recusasse assinar.
Quintanilha, o inspetor da PJ e a Associação Calvário Várzea estão acusados de falsificação de documento. O antigo dirigente está também acusado de coação, enquanto o inspetor responde por favorecimento pessoal.
Este é um processo diferente do principal caso de doping da W52-FC Porto. Nesse julgamento, Quintanilha e Nuno Ribeiro tinham sido condenados a quatro anos e nove meses de prisão efetiva, mas o Tribunal da Relação do Porto ordenou recentemente a repetição de parte do julgamento por ter sido utilizada uma prova considerada ilegal.

















