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  • “Fui a pessoa mais atacada do Mundo nas redes sociais”, Meghan Markle
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Quando as bombas de 28 de Fevereiro abateram Ali Khamenei e dezenas de altos dignitários iranianos, o poder em Teerão não se evaporou – mudou apenas de mãos, na penumbra dos salões de chá onde se fazem acordos que as câmaras nunca filmam. 

Como em todos os regimes de ditadura, jamais um líder prepara um sucessor. Os líderes acham que são eternos, e este, seguramente, achava isso mais do que todos. Criam, isso sim, lugares-tenentes, mais vocacionados para servir do que propriamente aptos para lhe suceder.

Em Teerão, subitamente, morreram todos. De alto a baixo e num só dia. Os lugares-tenentes, esses, desvaneceram-se nos dias seguintes, criando um deserto de poder num regime onde ser ‘alta individualidade’ passou a significar morte quase certa.

Como que por encanto, surgiram então as poderosas viúvas como arquitetas silenciosas da sobrevivência do sistema. Elas formam um tipo social e político específico, forjado ao longo de quase cinco décadas de República Islâmica: casamentos precoces entre filhas de famílias clericais ou militares, com homens já em ascensão política ou militar. 

Aos 18 ou 20 anos, entram sem fortuna própria, mas com um capital social precioso: um tio ayatola em Qom, um pai brigadeiro na Guarda Revolucionária, uma mãe que gere fundações de mártires anteriores. Para elas, o casamento não é uma escolha romântica, é um pacto entre clãs que partilham o Estado formal, as mesquitas, a economia de guerra paralela.

Em vida dos maridos, eram simples guardiãs do lar público: geriam a casa como empresa familiar, mas também as esmolas religiosas obrigatórias, as clínicas das fundações, os contratos de construção dos quartéis e mesquitas. O poder era-lhes derivado do marido, mas era pessoal na execução. Sabiam quem devia favores à família, qual juiz podia ser persuadido, qual general precisava de donativos discretos, atuavam com uma eficácia a toda a prova…

Nunca falavam em público. A televisão estatal filmava-as nos funerais de chador negro, a tocar nos caixões, mas cortava-lhes sempre a voz. Mas entre todas elas – e foram muitas nos últimos tempos – sobressai uma dessas viúvas – Mansoureh Khojasteh de seu nome, a mulher de Ali Khamenei e mãe de Mojtaba Khamenei, o filho que lhe sucedeu. Filha de um comerciante, Mohammad Bagherzadeh, casada aos 19 com o jovem clérigo de Mashha, sobreviveu às purgas e perseguições do Xá nos anos 80, e hoje coordena as viúvas do poderoso clã, garantindo que os filhos sobreviventes não se dispersem em lutas fratricidas. 

Mansoureh, não sendo a rainha-viúva de um conto medieval, é, isso sim, a regente de um império clerical que resiste às bombas. Mas com uma palavra decisiva no futuro do Irão.

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