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José Braga Gonçalves

O FASCÍNIO DE PUTIN POR UM PORTUGUÊS I

José Braga Gonçalves

Putin tentou com a invasão da Ucrânia estancar a saída de mais países da esfera da Rússia para o âmbito político-militar da NATO e económico da União Europeia.

Ultimamente, perdeu a sua fiel Hungria, ganhando quase no mesmo dia a grande Bulgária, ambos antigos países alinhados com a União Soviética e então membros do Pacto de Varsóvia, a oponente da NATO.

Se as contas lhe sairam furadas em relação à totalidade da Ucrânia, consolidou a preço de sangue a posse da Crimeia e adicionou-lhe os territórios russófonos ou oblasts do Leste da mesma. Meia vitória soa-lhe hoje a melhor que nada.

Mas, por olhar para a História, Putin considera-se um iluminado e certamente um injustiçado, duas circunstâncias em que viveu o homem que alguns defendem ser o seu verdadeiro guia histórico: um português.

E porque Putin conhece a História da Rússia como ninguém, nesta se descortinará a sua identificação com o ser e o agir desse português, de seu nome António Manuel de Vieira.

Quem era e de onde surgiu este homem grande da Rússia do século XVIII, que tanto ajudou o Imperador Pedro a ganhar o cognome de “O Grande” ?

Conhecido na Rússia como Anton Devier, uma franco-russificação do seu nome, António de Vieira era um judeu nascido em Portugal e fugido para Amsterdão aos estertores da Inquisição pré-pombalina, cidade onde a sorte de uma vida o fez cruzar-se com Pedro, o Imperador.

Segundo os autores versados sobre a figura política e policial daquele, junto do Império de Pedro e Catarina, os Grandes, António de Vieira, ou Anton Devier, foi tudo aquilo que fascina Putin.

Devier, pobre e oriundo do Minho, chegou a braço direito do líder da Rússia e foi um dos construtores de São Petersburgo, sendo-lhe endossada a polícia política imperial.

Putin, séculos depois, nasceria pobre na mesma cidade, tornando-se membro da polícia política e braço direito de um outro líder da Rússia, antes o poder por este lhe ser endossado, também.

O fascínio das semelhanças entre ambos prossegue em cada estratégia imperial, em cada tática militar, em cada procedimento político.

Estude-se Devier, entenda-se Putin.

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Publicado em 20 maio de 2026
José Braga Gonçalves

A BATALHA DOS GENÉRICOS I

José Braga Gonçalves

Enquanto pelo Mundo se guerreia, podemos lançar um olhar sobre uma outra guerra, uma travada em Portugal, onde hoje também se morre.

Apenas, morre-se em silêncio; morre-se na vergonha de ser idoso, de ser mais vulnerável, de ser doente crónico ou terminal, até de ser acometido de uma qualquer maleita passageira que se torna grave.

Por cá, também temos uma guerra, esta, destinada a impedir o quanto possível e por qual meio seja, o acesso aos mais elementares medicamentos a preços que os mais fracos possam pagar: o preço dos medicamentos genéricos.

Vê-se em cada frente de batalha judicial, ouve-se em cada frente de balcão de farmácia, sente-se em cada consultório médico, esta guerra de uma qualquer marca travada contra o direito à saúde, o direito à vida, até.

Mas tal como os bancos, o único verdadeiro ativo das farmacêuticas de marca é a confiança. O resto, são remédios.

E para tudo há remédio.

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Publicado em 13 maio de 2026
José Braga Gonçalves

SE MAOMÉ VOLTASSE À TERRA

José Braga Gonçalves

Nenhum regime resiste à brutal decapitação perpetrada pelos Estados Unidos e Israel, do poder instituído há cinco décadas no Irão.

O velho regime caiu; mas o sistema teocrático persiste como alvo, ecoando os  receios expressos pelo primeiro líder, o aiatolá Khomeini, antes de morrer.

Apela agora o Ocidente aos antigos Persas para agarrarem a oportunidade de lutar pela sua própria liberdade, contra o que resta daquele regime ditatorial e teocrático.

Mas essa luta apenas vencerá se for contra o próprio sistema, aquele que escravizou mulheres, mandou para a morte certa milhões nas trincheiras do Iraque, assassinou quem não rezava a Alá, dizendo-se eles os únicos intérpretes do Profeta.

Se Maomé voltasse à Terra, estaria certamente do lado dos Persas, não da teocracia cleptocrata dos mulás.

Apenas, Maomé não volta.

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Publicado em 06 maio de 2026
José Braga Gonçalves

OS SERVIÇOS SECRETOS DE TRUMP

José Braga Gonçalves

Os iranianos devem estar a rir a bandeiras despregadas com o último atentado à vida de Trump em que um simples intruso, suposto hóspede de hotel, chegou até uns metros do Presidente no jantar magno e anual dos jornalistas credenciados pela Casa Branca.

Armado até aos dentes, o atirador desatou aos tiros, e atirou a matar sobre o primeiro e surpreso agente que encontrou, já perto da sala onde decorria o jantar.

Do outro lado do Mundo, Netanyahu, não deve ter dormido, a pensar quão fácil era assassinar o seu aliado-mor.

Em mais este episódio de falhanço dos Serviços Secretos americanos, levanta-se a questão da infalibilidade.

Sabemos que, naquele mesmo hotel em Washington, uma tentativa de assassinato de Ronald Reagan quase teve sucesso, sendo o então Presidente atingido e ficado em grave perigo de vida, com 6 meses de recuperação.

Se é fácil ir buscar um Maduro à cama, provado está, pela segunda vez, que qualquer assassino amador pode chegar ao Presidente dos Estados Unidos.

E se um dia for um profissional?

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Publicado em 29 abril de 2026
José Braga Gonçalves

A PÉRSIA À MANEIRA DE FÁBIO

José Braga Gonçalves

O Irão não desconhece a História de Roma antiga. Nesta usava-se, já muito antes de Cristo, a expressão “à maneira de Fábio”.

Fábio é Quinto Fábio Máximo, um general e ditador romano conhecido pela sua guerra contra o general cartaginês Aníbal, o dos elefantes de combate, admirado e seguido até por Bonaparte.

O romano saiu vencedor e salvou Roma ao recusar-se enfrentar Aníbal em batalha direta aguardando que os seus elefantes morressem de frio após atravessar os Alpes.

Imitando Fábio, os aiatolás são hoje a personificação histórica da estratégia de quem foge à ação imediata para vencer pelo desgaste e pela paciência.

Sabendo que não podem derrotar o novo Aníbal num confronto direto, adoptam a tática de Fábio, evitando batalhas campais no Golfo, mantendo o exército em terreno seguro e deixando sacrificar diariamente os seus generais.

Esta “tática fabiana”, como ficou conhecida, resultará até ao dia em que Aníbal lance as suas hordas de elefantes de guerra evanescer a milenar civilização persa para gáudio de uns aiatolás fanáticos que apenas buscam o martírio de um povo que já nem sequer é o seu.

O verdadeiro povo persa anseia por ouvir os tambores de guerra de Aníbal e as passadas dos seus elefantes.

De guerra.

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Publicado em 22 abril de 2026
José Braga Gonçalves

AS CATACUMBAS DE TRUMP

José Braga Gonçalves

Subitamente, um americano surge das catacumbas como principal figura de um mundo em teatro de guerra, onde apregoa alto pela paz.

A sua voz, audível do outro lado do Atlântico, prega contra um outro americano que lhe responde, em incómodo desafio.

Chegou-se a pensar que aquela voz das catacumbas fora eleita por influência da outra voz do Atlântico, ou vontade de seu aplacamento por parte da Cúria Romana.

Parece que não.

E subitamente, a guerra das armas passa para uma guerra de palavras pela Paz, outras em favor da Guerra, sabendo uma que almas não perde e a outra que só votos lhe pode levar.

De permeio, a Humanidade assiste atónita a esta guerra de catacumbas onde a amargura da resposta cai na vertigem da afirmação.

Afinal, são apenas dois americanos.

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Publicado em 15 abril de 2026
José Braga Gonçalves

AS NOTÍCIAS DA MORTE DE TRUMP

José Braga Gonçalves

Mark Twain, ao chegar-lhe a notícia da sua própria morte publicada num artigo de jornal, proferiu a célebre frase: “As notícias da minha morte são manifestamente exageradas”. E assinou.

O mesmo aconteceu com Alfred Nobel, de cognome ‘O mercador da Morte’, aquando da morte de seu irmão anunciada como a sua. E não assinou.

Mutatis mutandis, também Trump poderia dizer que as notícias sobre a sua morte política são manifestamente exageradas. E pode assinar.

Elas são exageradas nas aspirações dos seus adversários e, sobretudo, nas dos seus inimigos de cujas intenções está o inferno cheio, pois nem só de boas se paira por lá.

Das boas intenções, que levarão Trump ao inferno e que não são manifestamente exageradas, estão a tomada do petróleo da Venezuela, o apoio sem pejos a Israel, e a tomada seguinte de Cuba.

Com estas três, apenas, Trump passa pelo purgatório das intercalares, ao que, ditar-lhe a morte política, parece manifestamente exagerado.

O inferno o dirá.

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Publicado em 08 abril de 2026
José Braga Gonçalves

A ROLETA RUSSA DOS AIATOLÁS

José Braga Gonçalves

Todos nos lembramos do filme ‘O Caçador’ e da marcante cena do jogo de roleta russa. É de suster a respiração. Ao olharmos hoje para o Irão, revemos a cena, com outros atores, moribundos uns, outros caídos no chão.

Os russos, inventores da roleta de morte e que ensinaram os iranianos a jogar, como estes antes lhes ensinaram o jogo de xadrez (shatranj), não lhes disseram que na roleta russa o tambor da pistola é suposto levar apenas uma bala, e não cinco. E que, ao fim de cada sorte de tiro, se deve rodar o mesmo, antes de disparar novamente.

Acontece que os russos estão a olhar de longe e apenas a fazer sinais com bandeirinhas. Os Aiatolás, esses, continuam a disparar sem rodar o tambor. E de cada vez, cai mais um, à espera de acertar na câmara sem bala. Mas há que os parar. Alguém tem que dizer àquela gente que já chega de arriscarem a vida de todo um país milenar.

O que está em causa já não é só um regime cansado ou uma teocracia desvairada; é o próprio coração persa, a cultura que deu ao mundo a poesia de Hafez e as luzes de Isfahan.  Um país inteiro refém de um punhado de homens que confundem martírio com glória e poder com fé. Alguém lhes agite umas bandeirinhas.

Ou vão acabar em cacos, ou como a sua própria marinha, num qualquer fundo de mar. E não há volta a dar.

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Publicado em 01 abril de 2026
José Braga Gonçalves

ASSIM FALAVA ZARATUSTRA

José Braga Gonçalves

Há milhares de anos, os persas, hoje ditos iranianos, deram origem à primeira religião monoteísta, a qual inspirou todas as demais. Judaísmo, cristianismo e islamismo são influenciados pela obra teológica de Zoroastro ou Zaratustra, um persa considerado o primeiro filósofo da Humanidade. Aquela religião ancestral tinha uma essência: a luta entre o bem e o mal. Era dicotómica, e nisso mais radical do que as religiões vindouras. O Bem e o Mal eram a sua vida e a sua morte, e está-lhes na massa do sangue.

É esse sangue velho-persa, moldado por Zaratustra, que agora pode surgir à tona,  vindo das entranhas de uma tradição que os iranianos não entendem ou erroneamente entendem como sendo islâmica. Mas não é. E por isso é perigosa.

Se não se vislumbrar uma vitória militar rápida, em algum momento os persas de sangue velho para quem os Ayatolas se tornaram no Mal de Zoroastro, podem começar a olhar para o Grande Satã, agora como o ator desse Mal.

E então, mesmo que caia o regime, o sistema sobreviverá.

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Publicado em 26 março de 2026
José Braga Gonçalves

O RELÓGIO SUÍÇO DE TEERÃO

José Braga Gonçalves

O Irão anda pela Suíça a tentar comprar um bom relógio suíço. Precisa comprar tempo. Tempo para cumprir a regra que o velho Khomeini estabeleceu como a Regra Suprema: “Preservar o sistema é o dever mais elevado.” E tempo, porque, desta vez, são os persas que estão nas Termópilas.

Já menos de 300 lançadores lhes sobram, tantos quantos os guerreiros espartanos que contiveram Xerxes, filho de Dario, o seu grande ancestral. Mas estes persas, agora iranianos, nem são os espartanos de então, nem têm Xerxes para os comandar. E têm a forçar o estreito deles uma força que lhes quer rasgar o ventre daquela Regra Suprema e exterminar-lhes o sistema, assim vingando a humilhação dos reféns de 1979.

Por isso, Teerão precisa de um relógio suíço. Um que se atrase. E que se atrase para se poder reorganizar internamente, agora que comunicaram ao mundo a indicação de um novo Líder Supremo, que jamais foi visto.

Mas é estreito este espaço de tempo. Tão estreito quanto o das Termópilas, pois que o filho do rei morto, o rei posto Khamenei II, se não morto também, terá pela frente um presidente Trump que mantém a posição de “rendição incondicional” como única saída.

A única que lhe foi dada e, por ora, outra se lhe não vê, salvo se o relógio suíço se atrasar, pois, neste momento crítico, quaisquer silêncios, negociações, ou mesmo recuos, visam um único objetivo: a autopreservação do sistema.

Mesmo que caia o regime.

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Publicado em 19 março de 2026
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