O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu a expansão do Pix para além das fronteiras brasileiras e pediu diretamente ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva que o sistema seja estendido ao seu país.
A declaração surge num momento de tensão internacional, depois de os Estados Unidos incluírem o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos nas suas críticas a barreiras comerciais. O relatório norte-americano aponta que o Pix pode favorecer um modelo estatal, colocando empresas privadas estrangeiras em desvantagem.
Em resposta, Petro saiu em defesa do modelo brasileiro. Nas redes sociais, o presidente colombiano pediu que o Brasil partilhe o sistema com a Colômbia, argumentando que a ferramenta pode fortalecer a integração económica na América Latina e reduzir a dependência de mecanismos financeiros internacionais.
O líder colombiano também criticou instrumentos de controlo dos Estados Unidos, afirmando que esses mecanismos têm sido usados de forma política e não contribuem para uma ordem económica mais equilibrada.
Criado pelo Banco Central e em funcionamento desde 2020, o Pix tornou-se o principal meio de pagamentos no Brasil, com transferências imediatas e sem custos para pessoas singulares. O sistema é frequentemente comparado ao MB Way, utilizado em Portugal, por permitir pagamentos rápidos através do telemóvel. Nos últimos tempos, o Pix já começou inclusive a ser aceite em alguns estabelecimentos portugueses, sobretudo em zonas com forte presença de brasileiros.
A proposta de Petro reforça um movimento crescente de debate sobre soberania financeira e integração digital na América Latina – com o Pix no centro dessa disputa geopolítica e económica.