A participação de Mário Campolargo no Congresso da APDC, que decorre esta semana em Lisboa, está a gerar incómodo e leitura política no setor das telecomunicações. O antigo secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa dos governos de António Costa surge como orador num painel dedicado à soberania digital, lado a lado com representantes de empresas que beneficiaram diretamente de decisões tomadas durante o seu mandato, caso da Nokia e da Ericson.
Em causa está a exclusão da Huawei do desenvolvimento das redes 5G em Portugal, uma decisão alinhada com orientações europeias e de segurança, mas considerada por vários analistas como uma das mais restritivas no espaço comunitário. A medida teve impacto direto no equilíbrio concorrencial do mercado, abrindo espaço a fornecedores alternativos, nomeadamente europeus.
Agora, no palco do congresso da APDC, Campolargo partilha debate com responsáveis ligados a operadores e fabricantes que reforçaram a sua posição após essa reconfiguração do mercado.
O 24Horas sabe que a presença está a levantar questões sobre a proximidade entre decisão política e interesses industriais, ainda que não exista qualquer indicação de ilegalidade ou conflito formal.
O painel, subordinado ao tema “Infrastructure as Power”, pretende discutir o papel estratégico das infraestruturas digitais na soberania europeia. No entanto, a composição dos intervenientes e o contexto recente tornam inevitável uma leitura mais crítica sobre as fronteiras entre regulação, política pública e benefício económico num setor altamente sensível.
