Cerca de 200 turistas ficaram retidos, esta segunda-feira, dia 20, no topo do Morro Dois Irmãos, no Vidigal, zona sul do Rio de Janeiro, após uma operação policial que desencadeou um intenso tiroteio na área. A ação das autoridades tinha como objetivo capturar dois suspeitos ligados ao tráfico de droga, Ednaldo Pereira Souza, conhecido como ‘Dada’, e Wallas Souza Soares, ‘Patola’.
Durante a operação, registaram-se confrontos armados entre agentes policiais e elementos do Comando Vermelho, facção que controla a zona, impedindo a descida dos visitantes. Perante a situação, os turistas, de várias nacionalidades, procuraram abrigo no topo do morro, onde permaneceram até ser considerada segura a saída.
Entre os presentes estavam as portuguesas Laura Rodrigo e Patrícia Balagueira, que relataram em exclusivo ao 24Horas os momentos de tensão vividos no local.
“Nós ontem fomos ver o nascer do sol ao Morro Dois Irmãos, como é muito comum os turistas fazerem aqui. No início do percurso, temos de passar por dentro da favela do Vidigal para depois chegarmos ao trilho”, começou por explicar Patrícia Balagueira.
Já no topo, o ambiente rapidamente mudou. “Quando chegámos lá acima ouvimos um barulho. Pensámos que fossem foguetes ou algo relacionado com o nascer do sol, mas depois percebemos que era efetivamente um tiroteio, até porque começámos a ver o helicóptero da polícia”, acrescentou.
A reação foi imediata, com guias turísticos a alertarem os visitantes. “Um dos guias, não o nosso, começou a gritar para nos baixarmos e termos cuidado, e a encaminhar os turistas para um ponto mais seguro”, contou Laura Rodrigo.
A descida acabou por ser feita mais tarde e sob controlo das autoridades. “Demorámos mais do que o habitual porque houve necessidade de garantir a segurança. Já cá em baixo vimos muita presença policial e meios de comunicação social”, referiu.
Apesar de não haver registo de feridos entre os turistas, Laura admite o impacto da experiência: “Não deixou de ser uma situação que nos trouxe algum medo, porque nunca tínhamos vivido nada assim.”