Um homem identificado como Marco Aragão, ex-militar, enviou para a Casa Civil da Presidência da República, em outubro de 2022, uma carta dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa que continha uma bala verdadeira e exigia o pagamento de um milhão de euros, sob ameaça de morte. O caso foi rapidamente tratado pelas autoridades, tendo a Polícia Judiciária procedido à detenção do suspeito em Lisboa.
O Ministério Público acusou o arguido de vários crimes, entre os quais tentativa de coação agravada, tentativa de extorsão agravada, detenção de arma proibida e acesso indevido a dados. Contudo, ao longo do processo, foi defendido que o homem sofre de uma perturbação psiquiátrica, nomeadamente uma anomalia psíquica que o tornaria inimputável à luz da lei portuguesa, o que influenciou a abordagem judicial ao caso.
Durante o julgamento e as fases posteriores do processo, foi determinado o seu internamento em contexto hospitalar e acompanhamento médico, em vez de cumprimento de pena de prisão efetiva. A medida teve em conta a avaliação clínica e a necessidade de tratamento, sendo sujeita a revisões periódicas pelas autoridades competentes.
Segundo a informação entretanto divulgada, o indivíduo acabou por ser libertado, o que indica que as medidas de coação ou de internamento foram entretanto revistas e consideradas já não necessárias nas condições aplicadas. O caso gerou debate público sobre segurança institucional e sobre a forma como o sistema judicial português lida com situações em que estão em causa ameaças a altas figuras do Estado e problemas de saúde mental.