A viagem de Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, à Ásia resultou na assinatura de acordos estratégicos que visam inserir o Brasil na rota global da alta tecnologia. Em passagens por Nova Deli e Seul, o governo brasileiro consolidou parcerias fundamentais nas áreas de minerais críticos e terras raras, recursos indispensáveis para o fabrico de semicondutores e baterias de veículos elétricos.
Na Índia, o balanço da visita foi de 11 acordos governamentais firmados. O primeiro-ministro, Narendra Modi, e Lula estabeleceram um plano para elevar o comércio entre os dois países para os 20 mil milhões de dólares até 2030 (17 mil milhões de euros). O foco central é a cooperação técnica: o Brasil detém algumas das maiores reservas de terras raras do mundo, mas a Índia possui a tecnologia de refinação. Com estes novos protocolos, a intenção de Brasília é atrair investimento indiano para processar o minério em solo brasileiro, agregando valor à produção nacional antes da exportação.
Já em Seul, na Coreia do Sul, a agenda de Lula concentrou-se na reindustrialização e na inovação digital. Foram assinados memorandos de entendimento que abrangem Inteligência Artificial, semicondutores e a produção de hidrogénio verde. No setor da saúde, os acordos abrangem a produção de medicamentos, vacinas e pesquisas em genómica avançada, incluindo a busca por melhores práticas em “hospitais inteligentes” para o Sistema Único de Saúde (SUS). Um ponto de destaque na agenda comercial foi a assinatura de um memorando para fortalecer a cooperação regulatória no setor de saúde, o que deve facilitar o acesso dos consumidores brasileiros aos produtos de “K-beauty” (cosméticos coreanos).
No discurso de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, Lula defendeu o multilateralismo e criticou indiretamente as tarifas protecionistas de Donald Trump: “Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor, para o Brasil e melhor para o mundo.”
Lula voltaria ao Brasil terça-feira, dia 24, sem mais compromissos, mas o programa mudou para incluir uma visita relâmpago a Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. O que seria apenas uma escala para reabastecimento do avião presidencial servirá para um encontro com o líder do país, o xeque Mohammed bin Zayed al-Nahyan, fortalecendo uma relação que tem ganhado peso crescente como importante destino de exportações brasileiras.



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