A Câmara dos Deputados do Brasil já aprovou o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A votação, realizada de forma simbólica após um entendimento entre as principais bancadas parlamentares, representa um passo histórico para a consolidação de uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, abrangendo um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas.
O texto segue agora para o Senado Federal, a última etapa legislativa no Brasil antes da ratificação final. O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação para mais de 90% dos bens comercializados entre os dois blocos. De acordo com o governo brasileiro, a UE deverá eliminar taxas sobre 95% dos produtos originários do Mercosul, num prazo de até 12 anos.
Apesar da aprovação em Brasília, o processo enfrenta ainda resistência em solo europeu. Recentemente, Bruxelas remeteu o texto para o Tribunal de Justiça da União Europeia para uma avaliação jurídica, o que poderá atrasar a implementação definitiva em todos os Estados-membros. Contudo, diplomatas e membros do executivo brasileiro, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, demonstram otimismo quanto à aplicação provisória de vertentes comerciais do acordo já a partir do próximo mês.
Internamente, o governo de Lula da Silva comprometeu-se a editar decretos de salvaguarda para proteger setores sensíveis da indústria e do agronegócio contra eventuais desequilíbrios. Apenas a federação PSOL-REDE votou contra a proposta na Câmara, manifestando preocupações com a soberania industrial e o cumprimento de normas ambientais rigorosas.