Almada quer fazer da diversidade cultural e da ligação entre comunidades a principal marca da candidatura a Capital Portuguesa da Cultura em 2028.
A autarquia apresenta este sábado, dia 19, oficialmente o projeto, desenvolvido internamente e em articulação com a comunidade, sob o lema 'Todos, em Todos os Lugares, em Todos os Tempos'. A ideia passa por aproximar associações, coletivos e restantes agentes culturais do concelho, criando uma rede que se mantenha para lá de 2028.
A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, de 58 anos, explica que a preparação da estratégia cultural do município permitiu identificar uma realidade paradoxal: apesar da forte tradição associativa e da diversidade de iniciativas existentes, há ainda pouca ligação entre os diferentes intervenientes.
A candidatura pretende precisamente aproximar essas estruturas e criar condições para trabalharem em conjunto: “No fundo a nossa candidatura é toda virada para isso, fazer o movimento associativo entrecruzar-se.”
Além da criação de novas parcerias, o projeto prevê também a recuperação de algumas instituições e espaços culturais considerados relevantes para o concelho.
A proposta não se limita a uma determinada zona de Almada. A Câmara pretende distribuir oportunidades por diferentes áreas do concelho, abrangendo territórios como Monte de Caparica, Trafaria, Costa da Caparica e Pragal.
A estratégia procura também responder às transformações demográficas e sociais registadas nas últimas décadas. Almada passou de cerca de 70 mil para 200 mil habitantes em poucas décadas e tornou-se num dos concelhos mais densos da área metropolitana.
Para a autarquia, os ritmos acelerados do quotidiano, o anonimato associado aos grandes centros urbanos e a crescente utilização de plataformas digitais podem enfraquecer as relações de proximidade e aumentar situações de isolamento.
É nesse contexto que a candidatura aposta na colaboração, coprodução e formação dos agentes culturais, procurando reforçar a autonomia, a partilha de recursos e a criação de novas redes.
O objetivo é que estas estruturas continuem a trabalhar em conjunto depois do fim do ano de 2028.
A Câmara defende, por isso, que o principal legado da iniciativa não deverá ser apenas um equipamento cultural ou um conjunto de eventos, mas uma rede mais sólida de relações entre os agentes e um modelo de cooperação que permaneça no território.
Almada tem concorrência
A Capital Portuguesa da Cultura foi recuperada em 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva. A primeira edição realizou-se em Aveiro, em 2024, seguindo-se Braga, em 2025, e Ponta Delgada, em 2026.
O projeto terá continuidade em 2028, após a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, ter confirmado a realização de uma nova edição.
O período para apresentação das candidaturas abriu a 30 de abril e decorre durante 150 dias. A cidade escolhida para representar a Capital Portuguesa da Cultura em 2028 será anunciada a 9 de dezembro de 2026.
Além de Almada, já manifestaram intenção de concorrer cidades como Loulé, Guarda, Leiria, Óbidos, Setúbal e Amarante.
A cidade vencedora contará com um financiamento estatal de um milhão de euros, à semelhança das anteriores edições. No caso de Ponta Delgada, foi atribuído um reforço de 300 mil euros devido à insularidade.

















