O pintor cabo-verdiano Amadeo Carvalho vai estar pela primeira vez numa feira de arte em Paris. Apresenta uma exposição individual na AKAA (Also Known As Africa), que decorre de sexta-feira a domingo da próxima semana, de 23 a 25 de outubro, no Carreau du Temple.

A exposição chama-se “Fragments d’identité – Circulations lusophones, géographies sensibles” e reúne obras inéditas da série “Retratos de Ausência”, pintadas entre 2025 e 2026. Para estes trabalhos, o artista usou pigmentos vulcânicos que ele próprio recolheu nas ilhas do Fogo, de Santiago e de São Vicente, como referência à geografia e à memória do arquipélago.

São 50 obras num espaço de 16 metros quadrados, o stand C7, organizado como um percurso ao longo de quatro paredes. Os temas são a memória, a identidade e as circulações no mundo lusófono.

A curadoria é da Casa Vicência, uma plataforma dedicada à arte contemporânea dos espaços lusófonos, fundada em Paris por Émilie Silva. Esta é a primeira apresentação pública do projeto.

Natural de São Vicente, Amadeo Carvalho emigrou para Portugal e mais tarde mudou-se para Londres, onde vive. O gosto pelo desenho vem da infância, incentivado pelos professores. Depois de uma passagem pela música, voltou à pintura durante a pandemia.

Em 2025 apresentou na cidade da Praia, com a artista brasileira Cida Lima, a exposição “Atlântico Negro”, dedicada a retratos de mulheres cabo-verdianas. Em 2024 entrou na PowerList 100 da plataforma Bantumen, que distingue as personalidades negras mais influentes do mundo lusófono.