Estreou na cidade da Praia, 'Morada di Sodadi', um documentário sobre a história da emigração cabo-verdiana e das comunidades na diáspora. A primeira sessão contou com o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, e com o ministro da Cultura, António Augusto Duarte.

O filme acompanha as travessias do Atlântico e a vida das comunidades cabo-verdianas nos Estados Unidos, nos Países Baixos, em Portugal e em São Tomé e Príncipe. Aborda também o regresso dos emigrantes ao país de origem. A saudade, evocada no título, é o fio condutor.

A versão estreada tem 32 minutos. Segundo o realizador, Nuno Miranda, um dos maiores desafios foi condensar a história da emigração num tempo tão curto. A equipa quer concluir uma versão mais longa, entre 68 e 80 minutos, a pensar nos festivais internacionais de cinema.

Está prevista a exibição nas várias ilhas e nas comunidades da diáspora, sobretudo em Portugal, nos Estados Unidos e nos Países Baixos. O documentário deverá também ficar disponível numa plataforma digital.

O produtor, Pedro Soulé, considera que a obra preenche uma lacuna: existem estudos académicos, livros e músicas sobre a emigração cabo-verdiana, mas faltava um retrato em filme. Admitiu que, por falta de meios, a equipa não conseguiu filmar no Senegal, na Argentina e no Brasil, onde também há comunidades cabo-verdianas.

O filme foi feito a convite da Organização Internacional para as Migrações, que o financiou. Teve ainda o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades e de outros parceiros, incluindo a UNICEF.

Para Nuno Miranda, é importante mostrar às novas gerações a dimensão global de Cabo Verde, porque as comunidades emigradas são “parte fundamental da identidade nacional”.