Quase três anos depois de a 'Operação Influencer' ter provocado uma crise política e a queda de um Governo de maioria absoluta, António Costa continua sem conseguir consultar a investigação em que é considerado suspeito. O Ministério Público recusou, pela sexta vez, o pedido do antigo primeiro-ministro para aceder aos autos, decisão que levou o atual presidente do Conselho Europeu a acusar o MP de um “atentado ao Estado de direito”.

A procuradora Rita Madeira, segundo o Expresso, fundamenta a recusa no estatuto processual de Costa: não é arguido, assistente ou ofendido, sendo apenas suspeito. Por essa razão, não tem direito a consultar uma investigação que, desde março, já não se encontra sob segredo de justiça interno.

O processo esteve sob segredo de justiça total entre abril de 2024 e março deste ano. A magistrada sustenta ainda que essa proteção serviu não apenas os interesses da investigação, mas também os direitos de António Costa, evitando a sua exposição pública. O antigo governante contesta o argumento e considera que não necessita de ser “protegido de si próprio”.

No centro da polémica continua o comunicado divulgado pela Procuradoria-Geral da República a 7 de novembro de 2023. A nota, assumida pela então procuradora-geral Lucília Gago, revelou a existência de um inquérito autónomo relacionado com suspeitas envolvendo Costa. Horas depois, o primeiro-ministro apresentou a demissão, seguindo-se a dissolução do Parlamento e eleições antecipadas.

Costa chegou a ser ouvido, a seu pedido, em maio de 2024, sem ser constituído arguido. Quase três anos após o início da 'Operação Influencer', o processo principal continua sem despacho de acusação ou de arquivamento.