“Pior do que Charles Michel”. É desta forma que um diplomata europeu descreve a atuação de António Costa, numa altura em que o antigo primeiro-ministro português enfrenta as críticas mais duras desde que assumiu a presidência do Conselho Europeu.
Uma cimeira de 14 horas, marcada por impasses na política energética e nas negociações orçamentais, desencadeou uma vaga de contestação à forma como Costa conduz os trabalhos entre os 27 Estados-membros.
Segundo o Politico, um prestigiado meio que acompanha a política europeia, que ouviu 16 diplomatas e responsáveis europeus, alguns acusam o português de ter perdido o controlo das negociações, permitindo que os líderes reabrissem compromissos anteriormente estabelecidos.
O principal confronto envolveu o ETS2, o mecanismo europeu de taxação das emissões de carbono nos transportes e aquecimento. Itália, Hungria, Polónia, Chéquia e Eslováquia exigiram o adiamento da sua aplicação, enfrentando a oposição de Alemanha, França, Espanha e Portugal, divergências essas que obrigaram Costa a cancelar uma conferência de imprensa e prolongaram a reunião pela madrugada.
Mas há outra frente de contestação. Diplomatas do norte da Europa questionam a imparcialidade de Costa nas negociações do orçamento comunitário para 2028-2034, suspeitando de uma aproximação aos interesses dos países do sul.
Apesar das críticas, Costa aparentemente mantém apoios importantes. Um deles, o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, elogia a sua capacidade negocial, enquanto outros diplomatas responsabilizam os próprios governos pelos bloqueios.
Com uma cimeira orçamental marcada para 26 de novembro e a possibilidade de disputar um segundo mandato, António Costa enfrenta agora um teste político decisivo.

















