António Costa, de 65 anos, recebeu duras críticas do governo alemão depois de defender a criação de novas receitas e impostos à escala europeia para financiar o próximo orçamento da União Europeia (UE). Gunther Krichbaum (62), ministro de Estado alemão para a Europa, chegou mesmo a questionar se o presidente do Conselho Europeu estará "completamente desfasado da realidade".

A reação surgiu depois de António Costa ter defendido, numa entrevista ao Politico, que a UE precisa de encontrar novas fontes de receita para evitar cortes significativos na proposta de orçamento comunitário, que ronda os dois biliões de euros. Entre as possibilidades apontadas está a criação de impostos europeus sobre áreas que atualmente não são tributadas, especificamente a nível nacional, como os criptoativos.

A proposta caiu mal em Berlim. "Temos de nos questionar se António Costa não estará completamente desfasado da realidade", afirmou Krichbaum, à entrada de uma reunião de ministros europeus em Bruxelas. O governante considerou ainda que as declarações do antigo primeiro-ministro português "não ajudam" às negociações e exigiu "mais realismo".

A Alemanha rejeita a ideia de responder às necessidades financeiras da UE através de mais impostos e defende, juntamente com outros países do Norte da Europa, cortes significativos na despesa prevista. Estes Estados são contribuintes líquidos para o orçamento europeu, ou seja, entregam a Bruxelas mais dinheiro do que recebem.

Krichbaum lembrou ainda que os próprios países já enfrentam fortes dificuldades para equilibrar as contas públicas. "Os orçamentos nacionais estão sob imensa pressão", afirmou, defendendo que os recursos disponíveis têm limites.

O confronto deixa assim à vista uma divisão importante nas negociações: António Costa procura novas receitas para evitar grandes cortes no orçamento europeu, enquanto a Alemanha e outros países defendem que Bruxelas deve reduzir despesas em vez de aumentar a carga fiscal.