Mais de 400 camiões vão sair para a estrada esta sexta-feira, dia 25, numa marcha lenta de protesto contra o aumento do preço dos combustíveis. A iniciativa deverá provocar constrangimentos em três das principais autoestradas do País: A42, A41 e A1.
O protesto está previsto começar pelas 7:30, junto à entrada de Lordelo da A42. A partir daí, os veículos pesados seguem pela A41, no sentido norte-sul, e depois entram na A1, também em direção a sul, até Coimbra Sul, onde está previsto terminar a marcha.
Os organizadores garantem que já estão envolvidas mais de 100 empresas e que deverão participar cerca de 400 veículos pesados. A iniciativa partiu de empresários ligados aos setores das terraplanagens, movimentação de terras, extração de inertes e transportes, atividades particularmente dependentes do gasóleo.
"O gasóleo é um custo de produção que significa quase 70% do preço final", explicou Miguel Machado Mendes, advogado que representa os promotores, citado pela Lusa. Os empresários consideram que a subida do preço dos combustíveis está a colocar o setor numa situação "insustentável" e reclamam medidas específicas por parte do Governo.
Segundo os promotores, desde 27 de fevereiro o preço do gasóleo em Portugal passou de 1,59 euros para 2,22 euros por litro, uma subida de 63 cêntimos.
Os responsáveis pelo protesto contestam ainda o facto de as medidas de apoio anunciadas pelo Governo não abrangerem o seu setor e exigem descontos profissionais no combustível semelhantes aos existentes para os transportadores de passageiros e mercadorias.
O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, reagiu esta quinta-feira ao anúncio da marcha lenta, garantindo que o Governo está "sempre atento à realidade" e mantém contactos com as associações empresariais, incluindo as ligadas aos transportes.
O governante recordou que foram aprovados apoios seletivos para transportadores e agricultores, mas sublinhou que o Executivo não pretende pôr em causa o equilíbrio das contas públicas. "Não vamos quebrar o princípio das contas certas", afirmou.
O protesto desta sexta-feira surge depois de outras manifestações contra a subida dos combustíveis realizadas nas últimas semanas. A 7 de setembro, por exemplo, houve um buzinão na Ponte 25 de Abril e uma marcha lenta nas estradas de acesso à refinaria da Galp, em Sines, que provocou mais de dez quilómetros de fila no IC33.
E os protestos não ficam por aqui. No sábado, cerca de 30 empresas de transportes de mercadorias deverão reunir-se no Carregado para discutir novas formas de contestação ao aumento dos custos.
Entretanto, os preços do gasóleo na União Europeia atingiram um novo máximo de 2,23 euros por litro, segundo dados nacionais analisados pela agência AFP com base em informação publicada pela Comissão Europeia.

















