Entrar numa área metropolitana à hora de ponta pode vir a ter um custo extra. A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) admite criar taxas de congestionamento nas vias de acesso às grandes cidades e em estradas interurbanas com tráfego muito intenso, seja durante todo o ano ou apenas em épocas altas. A hipótese faz parte do estudo sobre o financiamento da rede rodoviária que o regulador apresentou esta terça-feira, dia 29.
A taxa não seria aplicada de forma generalizada. Incidiria em troços concretos e só nas horas de maior trânsito. Na perspetiva da AMT, teria um triplo efeito: desincentivar o uso do carro nesses períodos, trazer receita ao Estado e pagar investimentos em estradas e transportes. O modelo já existe em cidades europeias como Londres, Estocolmo e Oslo, que o estudo cita como referência.
A lei portuguesa já abre a porta a esta cobrança. Desde 2025, um decreto-lei permite taxar troços onde o congestionamento seja frequente, desde que a cobrança se limite aos períodos de trânsito intenso.
O regulador vai mais longe e propõe mexer nas portagens. O valor a pagar passaria a variar consoante a poluição do veículo, a frequência com que usa a via, a hora do dia e o volume de trânsito. A lógica é que quem usa mais a estrada, e quem polui mais, pague mais. A AMT admite, porém, que o modelo terá de ter em conta as diferenças entre regiões e o facto de haver pessoas e atividades económicas que dependem muito mais do carro do que outras.

















