A Presidência da República iniciou um ciclo de reuniões, em Belém, com associações de imigrantes, de modo a conhecer a realidade e as dificuldades deste grupo de cidadãos. A Casa do Brasil e uma associação nepalesa foram as duas entidades ouvidas, esta quarta-feira, 20.

Ana Paula Costa e Cyntia de Belém, presidente e vice-presidente da Casa do Brasil, respetivamente, foram recebidas por dois assessores do Presidente da República, António José Seguro. As representantes apresentaram um documento com as necessidades da comunidade imigrante.

A principal preocupação diz respeito à documentação e burocracia. “Os processos de regularização e de renovação de Autorizações de Residência registam atrasos prolongados na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), impossibilitando a formalização de contratos de trabalho, o reagrupamento familiar e o acesso a direitos para os quais a apresentação de documento de identificação é indispensável”, lê-se no documento apresentado, ao qual o Diário de Notícias teve acesso.

Outro dos argumentos levados a Belém tem a ver com o risco de expulsão de imigrantes e com o "endurecimento das leis". “Em muitos casos, as pessoas imigrantes ficam em situação administrativa irregular por uma falha do serviço de imigração, ao não conseguirem renovar os seus documentos porque não há vagas, ou pela demora na resposta dos serviços, ou, ainda, pelos erros de análise documental”, frisaram as representantes.

Também o reconhecimento de habilitações profissionais, xenofobia, discriminação e falta de articulação entre as entidades públicas foram questões abordadas na reunião. “Apelamos para um diálogo político sério, baseado em evidências e centrado nos direitos humanos”, destacaram.

A Casa do Brasil afirmou que esta reunião se deveu ao encontro entre António José Seguro e o presidente brasileiro, Lula da Silva, em abril.