Bill Gates, de 70 anos, voltou a lançar um alerta sobre os riscos associados ao desenvolvimento descontrolado da Inteligência Artificial (IA). O cofundador e antigo CEO da Microsoft considera que a tecnologia pode trazer enormes benefícios à humanidade, mas defende que, antes disso, é indispensável criar regras e mecanismos de segurança capazes de evitar consequências potencialmente catastróficas.

Em entrevista à NBC, Gates rejeitou a ideia de que as próprias empresas tecnológicas possam assumir sozinhas essa responsabilidade. “Ninguém acha que a autorregulação é suficiente”, afirmou, defendendo a intervenção direta dos Estados: “É preciso que as forças da autoridade e os políticos estejam envolvidos na discussão sobre proteções e monitorização.” E sublinhou que essas salvaguardas devem ser “obrigatórias”.

O empresário norte-americano aponta duas fases na evolução da IA: uma primeira, em que governos e reguladores terão de estabelecer limites e sistemas de controlo; e uma segunda na qual a sociedade poderá aproveitar de forma mais segura os benefícios da tecnologia.

O cenário que mais preocupa Gates é a utilização de sistemas avançados de IA por pessoas ou organizações com intenções criminosas. “Nunca houve uma arma tão poderosa como a combinação de pessoas mal-intencionadas a usarem as últimas ferramentas de Inteligência Artificial”, advertiu.

Gates foi ainda mais longe ao avaliar as consequências de uma utilização maliciosa: estas ferramentas são “certamente poderosas o suficiente” para provocar situações capazes de causar “milhares de milhões de mortes”. Um aviso extremo que sustenta o seu apelo a uma regulação internacional mais exigente.